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“Um ponto que eu acho fundamental é a falta de planejamento familiar das classes mais pobres”

  • Por Jovem Pan
  • 26/03/2014 16h20
Karime Xavier/FolhapressKarime Xavier/FolhapressDoutor Drauzio Varella fala sobre planejamento familiar entre famílias pobres
SÃO PAULO, SP, BRASIL,-- 24/09/2012,17 h00 : Retrato do médico e escritor Drauzio Varella que lancará um novo livro, "Carcereiros" (Companhia das Letras), no qual conta histórias do contato que teve com carcereiros de cadeias paulistanas nas quais trabalhou como voluntário. O livro é uma continuação de "Carandiru" e compõe uma trilogia sobre este universo --o terceiro será sobre mulheres presas.(Foto: Karime Xavier/ Folhapress.( ILUSTRADA ).

Drauzio Varella, 71 anos, é médico oncologista pela USP, cientista e escritor brasileiro. Também fundou o Curso Objetivo, onde lecionou Química. Por 20 anos, dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer (SP). Em 1986, Drauzio criou na Jovem Pan uma série de campanhas sobre a prevenção à AIDS. Três anos depois, começou uma pesquisa sobre a incidência do vírus HIV entre a população carcerária do Carandiru, onde trabalhou como médico voluntário até o fechamento, em 2002. Publicou 13 livros, entre os quais o best-seller Estação Carandiru e o infantil Nas Ruas do Brás, que fala sobre o bairro de São Paulo onde cresceu.

O que fazer por um Brasil Melhor?

“São tantas coisas que eu teria muita dificuldade de enumerá-las”, avalia o Dr. Drazio. Ele destaca, entretanto, “falta de planejamento familiar das classes mais pobres do Brasil”.

“A natalidade brasileira vem caindo, mas esse número engana, porque é distribuído de forma desigual”, diz Drauzio. Enquanto uma mulher de nível universitário tem a média de 1,4 filhos – sendo que a tendência é diminuir – a mulher analfabeta no Brasil ainda tem de quatro a cinco filhos.

“Você cria um problema muito difícil para resolver depois”, afirma Varella. São cerca de 3 milhões de brasileiras que têm em média cinco filhos e pertencem ao estrato mais pobre da população. Ou seja, “15 milhões de pessoas, e nós temos que encontrar um jeito de ajudá-las a crescer”, desafia o doutor.