TAMANHO DO TEXTO    

10/11/09 - 12h39
Publicado Por: Nahama Nunes

Violência: a volta por cima da dor

Psiquiatra Renato Del Sant abre seu coração e fala sobre a dor da morte de sua filha


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Em março de 2007, a aluna do 3ª ano do curso de medicina, da Unicamp, Carlota Del Sant, sofreu um sequestro relâmpago e, na época, foi encontrada com traumatismo craniano, no acostamento de uma estrada na região de Campinas. Passado quase três anos, a estudante que ficou mil dias internada, parou de sofrer as conseqüências da brutal violência. Em entrevista à rádio Jovem Pan, seu pai Renato Del Sant, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, abriu seu coração e falou sobre a dor da perda.

"Há três anos minha vida mudou completamente. Bandidos seqüestraram a minha menina e judiaram demais dela. É difícil falar, mas graças a Deus ela partiu. Foram mil dias de sofrimento. Carlota ficou em cima de uma cama como um vegetal", declarou o psiquiatra.

Para Renato, seus pacientes foram primordiais em sua recuperação. "O ser humano é maravilhoso. Meus pacientes, doentes mentais, foram maravilhosos. Me ajudaram de todas as maneiras possíveis. Alguns rezaram, outros passaram esses mil dias dando apoio a minha mulher e a própria Carlota. Se estou um pouco melhor hoje, devo tudo a eles", destacou o médico.

Sobre a violência, o psiquiatra foi enfático: "É difícil acreditar em tudo que aconteceu. Carlota sofreu muito na mão dos bandidos, Ela foi operada 15 vezes na cabeça. Volto a repetir, pedi muitas vezes a Deus que a levasse. Afinal foram mil dias de sofrimento".

Apesar do sofrimento, o pai de Carlota deixou uma mensagem aos pais que vivem momento semelhante ao seu. "Cair num buraco, todos nós caímos. O importante é saber sair dele. Existem situações que, ou agente cresce ou agente se afunda de vez. Eu não gostaria de ter passado por isso. Mas já que aconteceu, procurei meios para amenizar essa dor. Trabalho muito e voltei a dirigir um setor no Hospital das Clínicas, isso sem dúvidas me faz muito bem", finalizou Renato.

TAMANHO DO TEXTO    
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