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A humilhação chinesa

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 05/09/2017 09h00
EFE/Stephane MaheA nova rodada de fogos (e não de artifício) de Kim Jong-un irritou e humilhou o ditador chinês Xi Jinping

No fim de semana, a manchete internacional foi o sexto teste nuclear norte-coreano, mas não na China, país vizinho e único desconfortável aliado de um regime abominável. Como assim?

A nova rodada de fogos (e não de artifício) de Kim Jong-un irritou e humilhou o ditador chinês Xi Jinping, especialmente por ter acontecido durante um convescote no qual ele dá as cartas, a reunião dos Brics, a elite dos países emergentes, entre eles o Brasil.

Para a imprensa estatal chinesa, nada poderia sair do roteiro. O monótono discurso do timoneiro de Pequim é mais esfuziante do que uma explosão nuclear no quintal da China.

De fato, além do perigo em si, é humilhante para os chineses que o déspota norte-coreano roube a cena. Ele, afinal, é conhecido como Kim Gordinho III (o avô iniciou a dinastia). Ainda por cima, o rei Donald, lá em Washington tuitou que Kim Jong-un era um embaraço para os chineses.

Xi Jinping não gosta de surpresas. Há muito, a petulante Coreia do Norte escapou do controle do Big Brother chinês. Obviamente, Xi Jinping não endossa as diatribes norte-coreanas, mas até agora calcula que o mal supremo é botar para quebrar, culminando na implosão norte-coreana, reunificação da península coreana sob o mando de Seul e hordas de refugiados na sua fronteira, sem falar é claro do cenário de alguma devastação nuclear.

E esta escalada de tensões ali no quintal aconteceu semanas antes do início em outubro do congresso do Partido Comunista chinês, o espetáculo cheio de pompa destinado a mostrar aos chineses e ao mundo como Xi Jinping consolidou o seu poder com um modo de operação individualista que não se via desde os tempos de Mao.

Ironicamente, Xi Jinping irá roubar a cena de Kim Jong-un nas próximas semanas apenas se der uma endurecida, com alguma medida capaz de virar o jogo, como suspender o fornecimento de petróleo para a Coreia do Norte.

Parece improvável, mas caso aconteça, será uma merecida manchete internacional, mais interessante do que uma monótona reunião dos Brics.