“America Last”: Donald Trump e a desordem global

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 01/06/2017 08h24
STX04. WASHINGTON (EE.UU.), 31/05/2017.- El presidente de EE.UU. Donald J. Trump escucha al primer ministro de Vietnam Nguyen Xuan Phuc (fuera de cuadro) hoy, miércoles 31 de mayo de 2017, durante una reunión en la Oficina Oval de la Casa Blanca en Washington (EE.UU.). EFE/Olivier Douliery / POOLEFE/Olivier DoulieryDonald Trump EFE

Donald Trump é tosco, como seus tuítes. Alguns dos seus assessores são mais refinados, mas são pavorosos mesmo quando escrevem textos mais sofisticados para dar verniz às ideias do chefe.

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Na quarta-feira, o Wall Street Journal publicou texto conjunto do general McMaster, assessor de segurança nacional, e de Gary Cohn, o diretor do Conselho Econômico Nacional. A ideia é justificar e tranquilizar o mundo (cada vez mais inquieto com Trump) que o slogan America First não significa que os EUA queiram que se dane a cooperação internacional.

Dá para relaxar? Claro que não, especialmente depois das trombadas de Trump com outros dirigentes da Otan e a sinalização de que os EUA vão abandonar o acordo climático global de Paris.

É óbvio que cada país, antes de tudo, defende seus interesses, mas o America First é uma perigosa bravata nacionalista após uma fase histórica em que os EUA estiveram em primeiro lugar, mas liderando a ordem global com a edifício multilateral construído depois da Segunda Guerra.

McMaster e Cohn escrevem que o mundo “não é uma comunidade global, mas uma arena em que nações, atores não governamentais e empresas se engajam e competem por vantagem”.

É justamente por este motivo que existe a necessidade de colocar ordem “na arena” para impedir guerras, desastrosos conflitos comerciais e instabilidade.

Trump vislumbra um mundo no qual todos querem tirar vantagem do país mais rico e mais poderoso do mundo. Coitado. Sua postura de estufar o peito gera instabilidade e desconfiança, ao invés da tal força e confiança que ele promete para sua ressentida base eleitoral.

Trump é instabilidade por seu temperamento e por não acreditar em regras internacionais. Sua afinidade com homens fortes como o russo Putin, o turco Erdogan, o saudita Salman e o filipino Duterte não decorre apenas de pendor autoritário, mas da preferência por um sistema em que os donos da bola decidem as regras do jogo, ao invés de regras impessoais.

Trump fala em restaurar a liderança global americana. Na verdade, ele está abdicando desta liderança, apressando o fim de uma ordem global erguida em grande parte por homens sábios como os americanos Franklin Roosevelt e Harry Truman.

Nós vivemos em um mundo construído pelos EUA, agora sendo destruído por um magnata imobiliário que chegou de forma improvável ao poder, com a cumplicidade de um Partido Republicano que abdicou de suas responsabilidades e de uma base eleitoral nostálgica de um mundo imaginário.