Angela Merkel, a mamãe protetora da Alemanha

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 22/09/2017 10h24
EFECom Angela, os alemães se sentem protegidos; não é à toa que o apelido dela é “mutti”, mamãe

Troca no poder é saudável em uma democracia, mas vamos deixar Angela Merkel lá no comando em Berlim. Ela deve emplacar um quarto mandato nas eleições deste domingo. Bom para a Alemanha, para a Europa e para o mundo

Em um cenário turbulento, é bom ter Angela Merkel no timão. Stefan Kornelius, biógrafo da primeira-ministra democrata-cristã, a define em três palavras: “estabilidade, estabilidade, estabilidade”. Os alemaēs têm navegado em águas calmas e prósperas nestes 12 anos de governo Merkel.

Imagine, ela já conviveu com três presidentes americanos e quatro franceses. Foram quatro primeiros-ministros britânicos, seis italianos e sete japoneses.

Os americanos tomaram um rumo incerto ao darem o timão a uma espécie de tio louco (em inglês, soa melhor, crazy uncle). Com Angela, os alemães se sentem protegidos. Não é à toa que o apelido dela é “mutti”, mamãe.

Embora seja uma âncora de estabilidade, um dos segredos da longevidade de Angela Merkel no poder é abraçar a mudança e roubar as bandeiras de luta dos adversários. Neste ano, por exemplo, quando os social-democratas (adversários tradicionais, mas sócios na grande coalizão de governo) anunciaram o apoio ao casamento gay, Angela Merkel esperou apenas um dia para enviar projeto de lei ao Parlamento a favor, renegando sua oposição.

As guinadas de Angela Merkel a fazem perder pequenas fatias do seu eleitorado conservador para a extrema direita, mas ela se consagra como a líder de um centrão, não apenas na Alemanha, mas na Europa.

Associar Angela Merkel a uma gerentona é uma imagem aparentemente horrorosa, pois nos faz lembrar de Dilma Rousseff. No entanto, por favor, sem paralelos. O mentor de Angela Merkel não foi um Lula da Silva, mas o estadista alemão e europeu Helmut Kohl (do qual ela acabou se afastando).

De fato, o segredo de Angela Merkel, não está apenas na ojeriza ao dogma (já basta o que aconteceu na Alemanha nos anos 30), mas saber gerenciar crises: zona do Euro, Brexit, refugiados, ascensão de movimentos populistas, Ucrânia, Putin e agora esta fera do outro lado do Atlântico, o tio louco Donald. Aliás, Trump em ação faz com que alemães e europeus queiram distância de aventureiros populistas.

A maleabilidade de Angela Merkel tem limites. Ela possui a determinação para salvar a zona do euro, mas com frugalidade alemã, e ,apesar do espanto com a figura de Trump, Angela Merkel não abre mão do compromisso com a aliança transatlântica. E obviamente, outro pilar é sua convicção de que a Alemanha e a França são o núcleo duro de uma Europa integrada.

Melhor não mexer no time alemão com seu jogo robusto e seguro.