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Ascensão de El Aissami mostra como as coisas podem piorar na Venezuela

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 17/02/2017 05h52
EFEEFEEl Aissami - EFE

As reações do vice-presidente venezuelano foram previsíveis e naquela língua conhecida como chavês. Recém-empossado no cargo de vice, Tareck El Aissami foi colocado na lista de sanções do Departamento de Estado do recém-empossado Donald Trump, acusado de vínculos com o narcotráfico e de colaborar com terroristas no Oriente Médio.

Ao estilo Trump, El Aissami tuitou que recebia “esta miserável e infame agressão como um reconhecimento à minha condição de revolucionário anti-imperialista. Venceremos”. E para aumentar a irritação chavista, na quarta-feira, Trump recebeu na Casa Branca Lilian Tintori, mulher do mais importante preso político venezuelano, Leopoldo López, e exigiu sua “libertação imediata”.
Por algumas semanas, o regime chavista desgovernado por Nicolás Maduro agiu com cautela em relação a Donald Trump, mas agora são os habituais brados retumbantes. A ministra das Relações Exteriores Delcy Rodriguez disse que as sanções contra o vice-presidente comprovam que o novo governo americano perpetua os erros históricos cometidos por Barack Obama.
O confronto com os EUA e os anti-chavistas em geral é o que convém ao regime venezuelano. Afinal, nada como perpetuar a crise. Melhorar não vai e a ascensão de alguém como El Aissami mostra como as coisas podem piorar ainda mais na Venezuela.
Com 42 anos, filho de imigrantes sírio-libaneses,Tareck El Aissami tornou-se quadro chavista quando era agitador estudantil. Ele encena a ascensão mais vertiginosa na hierarquia chavista. Há oito anos, era um mero deputado e sua escolha no começo do ano para ser vice é um golpe no sonho da oposição de um referendo revogatório de Nicolás Maduro. Se sai o presidente, entra El Aissami, visto como o homem do grupo terrorista libanês Hezbollah na Venezuela, que tira sua lasquinha com o tráfico de drogas.
O vice é um dos medalhões chavistas mais desprezados pela oposição. Para ele, política é uma luta de vida ou morte, não existe espaço para compromisso. O oponente é um adversário que deve ser esmagado. Seu Twitter é um festival de grosserias e insultos contra opositores e jornalistas.
Em novembro, El Aissami disse que o dirigente oposicionsta Henrique Capriles não era macho para liderar uma marcha de protesto rumo ao palácio presidencial de Miraflores. Capriles rebateu que El Aissami não passava de um narcotraficante. A acusação mais comum envolve os tempos em que ele era vice-ministro do Interior e facilitava o deslocamento de carregamentos de cocaína através da Venezuela.
Em maio de 2015, o Wall Street Journal revelou que El Aissami era uma das seis altas autoridades do regime chavista investigados por promotores federais em Miami e Nova York por narcotráfico e lavagem de dinheiro. 
O ritual chavista é premiar El Aissami com promoções cada vez que ele é denunciado. Agora, só falta ser presidente.