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Centrão da Europa deve segurar as pontas

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 17/03/2017 10h46
EFE/Jerry LampenEFE/Jerry LampenGeert Wilders
JEL01 LA HAYA (HOLANDA), 16/03/2017.- El líder del Partido de la Libertad (PVV), el ultraderechista Geert Wilders (d), durante una reunión con la presidenta de la Casa de Representantes, Khadija Arib, en La Haya, Holanda, hoy 16 de marzo de 2017. EFE/Jerry Lampen

Eu não vou reinventar a roda no meio das girações políticas dos últimos tempos no Atlântico Norte. Limito-me a expressar o alívio e repetir o chavão: o centro segura. Aconteceu na quarta-feira na Holanda nas eleições em que o centrão, que foi mais para direita, conteve o avanço da maré populista, a horrorosa onda loira de Geert Wilders.

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O velho dique holandês funcionou e caberá agora ao primeiro-ministro conservador Mark Rutte costurar uma nova coalizão de governo. Boa sorte. Da colcha de retalhos deverão constar mais partidos de direita e haverá bordados de esquerda. Há um discurso mais duro sobre imigrantes, mas foi o preço a pagar para a construção do dique.

Para mim, o essencial é que a Holanda será aconchegada por uma coalizão firmemente pró-europeia, após literalmente segurar as pontas, impedindo o triunfo de Geert Wilders. No resto da Europa pró-Europa houve o sentimento de alívio depois dos choques Brexit e Donald Trump. Desta vez, a surpresa foi o resultado decepcionante para Wilders, embora o seu Partido por Liberdade até tenha aumentado sua representação no Parlamento.

O alívio não deve resultar em complacência. Esta maré populista com seu fervor anti-imigrante está longe de se acalmar. Estão aí a gritaria e a tuitada de Donald Trump após sofrer a segunda derrota judicial na sua ordem executiva para banir gente de países predominantemente muçulmanos em nome da segurança nacional. É verdade que existem boas notícias na Alemanha, com a queda da taxa de aprovação da Alternativa para a Alemanha, o partido de extrema direita que tem criado muito onda.

Ironicamente, a maior ameaça contra Angela Merkel, felicíssima com a derrota de Wilders, hoje é apresentada pela social-democracia, parceria júnior na coalizão de governo. A eleição de setembro está distante, mas Martin Schulz se mostra bem posicionado. Para mim, de novo, o essencial é que o centrão pró-Europa, mais para a direita, mais para a esquerda, segure as pontas.

O teste mais próximo obviamente é na França no mês que vem. O desacreditado presidente socialista François Hollande também saudou a contenção da maré populista na Holanda, mas o centrão não pode facilitar com a ameaça Marine Le Pen. A disputa no segundo turno será entre ela e o independente de esquerda Emmanuel Macron, um convicto europeísta.

Na Holanda, coube a um tradicional político conservador segurar as pontas. Na França, caberá a um esquerdista fora do padrão. Segurar é preciso.