Da lama do lulopetismo, emergiu Michael Temer. E agora o Brasil submerge e a lavagem não será a jato. Mas, Temer é apenas o meu gancho para falar de ascensão de vice, um cargo inglório. Vamos ficar aqui ao norte. Será que chegou a vez de Mike Pence? Aliás, seu nome inteiro é Michael Richard Pence.

Mesmo com a espantosa velocidade dos acontecimentos e Donald Trump atolado nos seus autoinflingidos escândalos que podem em última instância se configurar como obstrução de justiça, parece prematuro já desenhar o cenário da presidência Pence.

No entanto, os conservadores americanos têm consolos. Em primeiro lugar, Trump já deu para o gasto: impediu a ascensão de Hillary Clinton e emplacou Neil Gorsuch, na Corte Suprema. E nada como ter um deles ali na espreita.

Claro que Pence está na moita e exerce seu papel subserviente com eficiência. Nada de ofuscar Don Trumpoleone. Mas, nada disso impede conservadores influentes de acenarem com o cenário, especialmente agora que existe um promotor especial encarregado de investigar a interferência russa nas eleições americanas e o possível conluio com a campanha de Trump.

Nem é preciso vislumbrar a presidência Pence. Hoje, o vice já é visto como uma fonte de estabilidade numa tumultuada e improvisada Casa Branca. Nada, porém, de ilusões. Uma eventual transição não será suave. Ocorreria em meio a uma crise constitucional. Não vamos esquecer que apenas Gerald Ford foi um vice que pegou a vaga de um presidente que renunciou, Richard Nixon. Impeachment nunca afastou um presidente americano.

Ironicamente, Ford tinha um perfil semelhante ao de Pence. Fez carreira na Câmara dos Deputados, tinha atitudes polidas, era um conservador religioso e sabia circular ao longo do espectro político.

Ford pagou um preço fatal por uma decisão. Assumiu a presidência e perdoou Nixon. Isto lhe custou a presidência na eleição de 1976, ganha pelo democrata Jimmy Carter.

Para Pence, desde agora é um malabarismo: manter a devoção a Trump e ensaiar o distanciamento de um presidente em desgraça.