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A complexidade do Oriente Médio e a simplificação de Trump

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 24/05/2017 09h24
EFE/Atef SafadiEFE/Atef SafadiPresidente dos EUA Donald Trump encontra a autoridade palestina Mahmoud Abbas em Belém
XIN124 BELÉN (PALESTINA) 23/05/2017.- El presidente estadounidense, Donald Trump (i), ofrece una rueda de prensa junto a su homólogo palestino, Mahmud Abás (d), en el Palacio Presidencial en la localidad cisjordana de Belén (Palestina) hoy, 23 de mayo de 2017. Trump aseguró en una conferencia de prensa conjunta con su homólogo palestino, Mahmud Abás, que la paz no puede surgir donde se recompensa la violencia. EFE/Atef Safadi

Esta semana, Donald Trump caiu no Oriente Médio. Tivemos o terror islâmico em Manchester, mas o presidente americano descobriu na sua viagem que “mais de 95% das vítimas do terrorismo são muçulmanos”. Ele, portanto, descobriu algumas complexidades dos problemas. No entanto, Trump reagiu com a habitual simplificação, tomando partido acintoso dos sunitas contra os xiitas.

Nenhuma surpresa que haja euforia no bloco sunita, arregimentado contra o Irã com seu aliado de ocasião, Israel. Mas, há inquietação, além de fúria, mesmo em alguns países supostamente aliados dos EUA, como o Iraque (de maioria xiita) e o Líbano, com seu perpétuo frágil equilíbrio entre cristãos, xiitas e sunitas.

Ali, no Líbano, o movimento xiita Hezbollah é peça essencial no jogo de poder, assim como na guerra civil síria, atuando ao lado do regime de Bashar Assad, que é sustentado pelo Irã. Complexo, não?

No Iraque velho de guerra, americanos e iranianos seguram a barra do governo que tenta desalojar o terrorista Estado Islâmico de amplas parcelas do território do país. Complexo, não?

Na complexidade regional, o Irã de fato é exportador de terrorismo, conforme denunciou Trump em discurso feito em Riad no domingo. Ademais, é um regime com a meta de destruir Israel. Mas, conforme denunciou o recém-eleito presidente iraniano Hassan Rouhani, 15 dos 19 terroristas responsáveis pelos ataques de 11 de setembro de 2001 eram sauditas.

Arábia Saudita e Irã insuflam violência sectária na sua disputa por hegemonia geopolítica, recorrendo sem cessar à religião como arma de combate. Gente secular e ativistas dos direitos humanos também estão desolados com a situação, diante da visão de mundo de Donald Trump, o presidente amoral, transacional e nada sentimental.

Trump simplesmente ignora questões de governança e da responsabilidade que governos têm em relação aos seus cidadãos. Negligência e brutalidade embalam o extremismo.

A meta de Trump é isolar o Irã, revertendo o empenho do governo de Obama. No entanto, é uma fantasia perigosa diante do tamanho do país e do seu potencial para motivar a linha dura, já furiosa com a reeleição retumbante do pragmático presidente Hassan Rouhani no duelo contra Ebrahim Raisi, abençoado pelo aiatolá Khamenei, o líder supremo do país.

Seria legal que Trump descobrisse que na complexidade iraniana, cresce o espaço para que a sociedade seja mais aberta, com mulheres ousadas para descobrir cada vez mais a cabeça.

O Irã, persa, xiita e com ambições nucleares meramente suspensas com o acordo internacional, é um desafio que une os árabes sunitas e Israel, mas é também o país que combate o Estado Islâmico, a obsessão de Donald Trump. Mais do que isso, embora haja opressão por um tenebroso regime teocrático, como na Arábia Saudita, na sua sociedade há luz e esperança. Complexo, não?