Esta semana, Donald Trump caiu no Oriente Médio. Tivemos o terror islâmico em Manchester, mas o presidente americano descobriu na sua viagem que "mais de 95% das vítimas do terrorismo são muçulmanos". Ele, portanto, descobriu algumas complexidades dos problemas. No entanto, Trump reagiu com a habitual simplificação, tomando partido acintoso dos sunitas contra os xiitas.

Nenhuma surpresa que haja euforia no bloco sunita, arregimentado contra o Irã com seu aliado de ocasião, Israel. Mas, há inquietação, além de fúria, mesmo em alguns países supostamente aliados dos EUA, como o Iraque (de maioria xiita) e o Líbano, com seu perpétuo frágil equilíbrio entre cristãos, xiitas e sunitas.

Ali, no Líbano, o movimento xiita Hezbollah é peça essencial no jogo de poder, assim como na guerra civil síria, atuando ao lado do regime de Bashar Assad, que é sustentado pelo Irã. Complexo, não?

No Iraque velho de guerra, americanos e iranianos seguram a barra do governo que tenta desalojar o terrorista Estado Islâmico de amplas parcelas do território do país. Complexo, não?

Na complexidade regional, o Irã de fato é exportador de terrorismo, conforme denunciou Trump em discurso feito em Riad no domingo. Ademais, é um regime com a meta de destruir Israel. Mas, conforme denunciou o recém-eleito presidente iraniano Hassan Rouhani, 15 dos 19 terroristas responsáveis pelos ataques de 11 de setembro de 2001 eram sauditas.

Arábia Saudita e Irã insuflam violência sectária na sua disputa por hegemonia geopolítica, recorrendo sem cessar à religião como arma de combate. Gente secular e ativistas dos direitos humanos também estão desolados com a situação, diante da visão de mundo de Donald Trump, o presidente amoral, transacional e nada sentimental.

Trump simplesmente ignora questões de governança e da responsabilidade que governos têm em relação aos seus cidadãos. Negligência e brutalidade embalam o extremismo.

A meta de Trump é isolar o Irã, revertendo o empenho do governo de Obama. No entanto, é uma fantasia perigosa diante do tamanho do país e do seu potencial para motivar a linha dura, já furiosa com a reeleição retumbante do pragmático presidente Hassan Rouhani no duelo contra Ebrahim Raisi, abençoado pelo aiatolá Khamenei, o líder supremo do país.

Seria legal que Trump descobrisse que na complexidade iraniana, cresce o espaço para que a sociedade seja mais aberta, com mulheres ousadas para descobrir cada vez mais a cabeça.

O Irã, persa, xiita e com ambições nucleares meramente suspensas com o acordo internacional, é um desafio que une os árabes sunitas e Israel, mas é também o país que combate o Estado Islâmico, a obsessão de Donald Trump. Mais do que isso, embora haja opressão por um tenebroso regime teocrático, como na Arábia Saudita, na sua sociedade há luz e esperança. Complexo, não?