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Em tempos de presidente pequeno e indecente, que John McCain supere mais este desafio

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 21/07/2017 05h56
MICHAEL REYNOLDS/EFEMICHAEL REYNOLDS/EFE

Aos 80 anos, o senador republicano John McCain já passou por muita coisa ruim na vida, como ser preso e torturado pelos norte-vietnamitas na guerra, perder uma eleição presidencial para o neófito Barack Obama e o anúncio esta semana de câncer cerebral.

A reação bipartidária de solidariedade foi fulminante e não se trata de algo protocolar. O sentimento é genuíno. John McCain é um autêntico herói nacional. Não é claro para ele, Donald Trump. No começo de sua campanha eleitoral em 2015, o agora presidente alfinetou McCain, dizendo que não o considerava um herói de guerra, pois ele fora capturado.

Eu, como tantos, subestimei o momento histórico. Calculei que Trump não sobreviveria a este comentário boçal. No entanto, vivemos neste nada admirável mundo novo em que alguém como Trump, que se evadiu de combater no Vietnã, é a pessoa mais poderosa do mundo.

São tempos anormais e John McCain, que tem 80 anos de uma vida extraordinária para oferecer, é um político normal. Ao longo da carreira, mostrou ter momentos de coragem (como um espírito independente) e também estúpidos, como selecionar Sarah Palin, a pessoa mais célebre do Alaska, para ser companheira de chapa na eleição de 20o8. Como político, em alguns momentos age com princípios e, em outros, com mero oportunismo

Mas, é o momento de destacar a grandeza de McCain. Na imprensa e nas redes sociais, se multiplicam as imagens dos momentos heróicos de sua vida. Um deles do seu retorno do Vietnã, após cinco anos e meio de cativeiro.

E um outro momento que se tornou viral é a cena de McCain num papo com eleitores na campanha de 2008, abafando vozes primitivas e preconceituosas, tratando Barack Obama como um ser alienígena, não americano, algo que se tornou a marca registrada de Donald Trump.

McCain, firme e educado, abafa estas vozes, observando que suas divergências com Obama eram políticas e que seu adversário na eleição era um homem decente, honrado e patriota.

Nestes tempos de um presidente pequeno e indecente, eu desejo que John McCain supere mais este desafio.