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Escândalo? Que escândalo?

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 13/07/2017 07h58
EFE/Sergei IlnitskyPresidente dos EUA Donald Trump e presidente da imobiliária Aras Agalarov falam em Moscou, Rússia, após escândalo dos e-mails do filho de Trump

Donald Trump está furioso com tanta cobertura do escândalo e não com o escândalo em si. Que escândalo? Um Trump não pede desculpas. Ele desafia, se esquiva, mente, muda de assunto e dispara contra os inimigos, a começar a imprensa.

Os contatos de Donald Júnior e mais gente da equipe da campanha eleitoral de Trump com os russos, revelados esta semana, desfizeram de vez a narrativa de que o Kremlin não esteve envolvido na eleição, algo que era consenso na comunidade de inteligência. O encontro de Júnior com uma emissária de Moscou, que supostamente teria material sujo sobre Hillary Clinton, soa tão amador, mas o que esperar? Ele é o aprendiz do aprendiz sênior.

O filhinho do papai foi descrito por Trump como material de “alta qualidade”, mas obviamente é mercadoria estragada para este presidente e eventualmente para os negócios da família. Há um debate sobre o impacto legal da saga de filme de quinta categoria, mas sem dúvida Trump perdeu ainda mais credibilidade e mais capital político.

O novo escândalo obviamente é uma mina de ouro para os democratas e garante que a névoa russa siga pairando na Casa Branca. A exploração das conexões russas pelo promotor especial Bob Mueller se aprofundará e pode ter muitas ramificações e por um bom tempo.

E aqui eu destaco que ele deve fuçar as finanças das organizações Trump e eventualmente a declaração de imposto de renda do presidente, algo que ele se recusa a divulgar, conforme a praxe de figuras na sua posição.

Uma Casa Branca que já é tão disfuncional deverá agravar este modo de operação, com as intrigas palacianas correndo soltas. Afinal, quem abriu o bico para o New York Times sobre o encontro de Júnior com a advogada russa? E não vamos esquecer que do encontro participou o genro Jared Kushner, consigliere do sogrão. A família está sendo investigada.

A agenda republicana no Congresso está empacada e imagine que o partido controla as duas Casas. Com o permanente escândalo Trump será mais penoso ao partido dar cobertura ao presidente. No entanto, ainda é esta proeza de uma base fervorosa, que, como o presidente, pergunta: que escândalo?

Sim, a proeza da doutrina da Quinta Avenida. Trata-se da bravata de Trump na campanha eleitoral de que ele poderia atirar em alguém na Quinta Avenida e não perderia votos.