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Estados Unidos: um país não exatamente rachado

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 25/08/2017 11h10
EFE/Molly Riley"O diminuto Donald Trump é um fenômeno. Sobre esta constatação, não existem divisões", diz Blinder

Pode parecer sem sentido dizer que Donald Trump -o doido o cabeça rachada- não divide os americanos tanto como se imagina, mas a afirmação é correta. Não se trata obviamente de aceitar a balela presidencial de que ele seja um unificador, mas mostrar como conseguiu romper o equilíbrio.

Há muito tempo os EUA eram um país rachado, 50 a 50. Existiam os Estados Vermelhos da América (os republicanos) e os Estados Azuis da América (os democratas). Claro que existem tonalidades de azul e de vermelho, assim como preferência por outras cores. Fala-se muito inclusive dos Estados Roxos da América, aqueles que têm oscilado nos mais recentes ciclos eleitorais, como é o caso da Carolina do Norte.

Mas algo mais saliente está acontecendo com Trump. Com ele, não é mais o pais 50-50, mas 60-40. A sua América, que ele considera a verdadeira, a que deve ser retomada, é cada vez menor. Vários indicadores na recente pesquisa da Universidade Quinnipiac confirmam a nova correlação de forças:

* 59% dizem que ele encorajou grupos de supremacistas brancos; 3% que desencorajou e 35% que não teve impacto.

* 65% acreditam que o nível de ódio e preconceito nos EUA aumentou desde a eleição de Trump; 2% que diminuiu e 32% que tudo está igual.

* E tudo vai por esta faixa: por 62 a 31, os americanos dizem que Trump mais divide do que une o país; por 62 a 35, que ele não oferece liderança moral, por 61 a 36 que não seja honesto, por 61 a 37 que carece de boas habilidades de liderança e por 60 a 32 existe desaprovação por sua resposta à tragédia em Charlottesville, quando afirmou que existiam “muitos lados” num conflito, envolvendo supremacistas brancos e que mesmo entre aqueles que marchavam entre neonazistas havia “gente boa”.

O núcleo duro de apoio ao presidente não são estes 40%, mas cerca de 25%. É o pessoal que confirma a Doutrina da Quinta Avenida, ou seja, a frase dita por Trump em comício de que poderia atirar em alguém na Quinta Avenida que não perderia votos.

Nada disso sinaliza que Trump esteja falido, incapaz de ser reeleito em 2020, caso não renuncie ou sofra impeachment antes disso. Nunca podemos esquecer que boa parte de seus eleitores em 2016 não admiravam ou respeitavam Trump. Ele meramente não era Hillary Clinton.

O diminuto Donald Trump é um fenômeno. Sobre esta constatação, não existem divisões.