Além da Síria, outra guerra de procuração no Oriente Médio entre a sunita Arábia Saudita e o xiita Irã é travada no Iêmen, igualmente bárbara e que igualmente tem um vexaminoso comportamento dos EUA.

Como na Síria, o governo Obama está perdido no Iêmen, adotando a doutrina da barata tonta. Atordoado, nunca sabe o que fazer e de qualquer forma a barata tonta já é pato manco, prestes a deixar o poder.

Obama pecou pela omissão na Síria e no final das contas deixou o espaço para os russos e os iranianos barbarizarem na defesa da ditadura Assad, contra terroristas e contra civis em geral.

A omissão Obama na Síria irritou os sauditas, que obviamente não engolem o acordo nuclear acertado pela comunidade internacional com o Irã. E na guerra do Iêmen há outro motivo de irritação. O governo americano acaba de bloquear a transferência de munições de alta precisão para os sauditas que combatem os rebeldes houthis, patrocionados pelos iranianos. O motivo é a preocupação com os chamados danos colaterais.

Os sauditas têm exibido muita precisão para matar civis no conflito iemenita, ao estilo do que acontece com Assad e seus patrocinadores na Síria. Claro que nos dois conflitos, podemos distribuir condecorações generalizadas aos atores de todos os lados por crimes praticados contra a humanidade.

Um recente feito saudita no Iêmen foi o bombardeio aéreo em outubro que atingiu em cheio um velório, causando mais de 100 mortes e centenas de feridos. Os sauditas reconheceram a barbaridade, atribuindo a uma falha de inteligência.

Os conflitos no Oriente Médio são uma herança maldita deixada para Donald Trump por Obama e obviamente por seus predecessores. Já sabemos que o presidente eleito se acomodou ao controle por Assad de um enclave na Síria (o mapa do país está desfigurado e não será recomposto). Ainda não sabemos como ele irá lidar com o conflito iemenita (provavavelmente ainda não foi apresentado a ele).

E dilemas não faltam. Os sauditas saúdam o hostilidade de Trump ao acordo nuclear iraniano, mas não são efusivos com sua aceitação do cenário pró-Teerã na Síria. Trump bate na tecla de combate ao terror islâmico, mas no Oriente Médio temos abundância de terroristas e de islâmicos. Com o seu pendor para dividir tudo entre vencedores e perdedores, Trump precisará identificar rapidamente quem vai escolher para vencedor.