É sábado e muitos americanos estão jogando golfe. E adivinhem quem é um aficionado? Claro, ele, Donald Trump. Nas horas vagas, o golfista inclusive trabalha de presidente. Jogador e investidor no esporte, Trump dá suas tacadas na política com a cabeça feita no esporte.

O golfe oferece muitos simbolismos sobre o jogo político do presidente americano. Sábado passado, ele não pôde jogar. Estava ocupado na cúpula do G-7 na Sicília. E uma cena simbolizou o distanciamento de Trump de outros líderes mundiais.

Enquanto os dirigentes da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá caminhavam juntos pelas ruas de Taormina para tirar uma foto, Mr. Trump seguia o grupo em um carrinho de golfe. E olha que, de acordo com seu médico, o setentão Trump é o presidente mais saudável eleito na história dos Estados Unidos.

Talvez o magnata imobiliário apenas estivesse saudoso de um campo de golfe. Afinal, ele mesmo constatou que o novo trabalho é mais penoso do que ele imaginava e que sente falta da velha vida.

E existe uma sacada de que a visão de mundo de Trump é traçada por sua experiência no golfe. Na viagem à Europa, ficou patente a hostilidade de Trump em relação a aliados tradicionais. Existem as explicações convencionais de que Trump agora é o campeão da America First, avesso a compromissos multilaterais, como ficou mais uma vez flagrante com o anúncio esta semana de que os Estados Unidos vão abandonar o acordo climático de Paris.

Parece bizarro, mas num papo com o primeiro-ministro da Bélgica, Trump observou que tem uma visão negativa da Europa devido à demora por lá na aprovação de funcionamento dos seus campos de golfe. Já nos países árabes, e vamos lembrar que o presidente adorou o tratamento nababesco na Arábia Saudita, tudo foi e é aprovado a toque de caixa para as organizações Trump.

Em pouco mais de quatro meses de governo, Trump já visitou seus campos de golfe umas 20 vezes. Isso em si não é o escândalo. Censurável é o pendor da Casa Branca para negar a assiduidade golfista do presidente. E por mim, tudo bem. As tacadas são menos bizarras do que os outros esportes praticados pelo presidente, como tuitadas e aperto de mão com líderes estrangeiros.

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