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Hora de responsabilidade na Catalunha

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 10/10/2017 09h43

EFE/Quique García

Algum gesto teatral será tolerável por razões políticas, como anunciar a intenção de proclamar a independência ou um referendo sobre o referendo

O presidente regional da Catalunha, Carlos Puigdemont, tem uma oportunidade histórica nesta terça-feira de reverter sua irresponsabilidade. Fará isso caso não ouse exagerar no teatro político e não proclame a independência catalã.

Algum gesto teatral será tolerável por razões políticas, como anunciar a intenção de proclamar a independência ou um referendo sobre o referendo. O desafio atabalhoado contra a Espanha foi longe demais.

E o governo de Madri tampouco ajudou com uma reação truculenta ao referendo ilegal e cheio de irregularidades de 1 de outubro. O resultado foi 90% a favor da independência, mas o comparecimento às urnas foi de apenas 43%.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro Mariano Rajoy endureceu o tom em um alerta para que as autoridades catalāes não atuem de forma unilateral na terça-feira. E na própria terça-feira veio o anúncio de que a polícia espanhola prenderá Puigdemont caso proclame a independência catalã.

A onda pró-independência obviamente não é fake news. Existe o clamor neste sentido por parte significativa dos 7,5 milhões e meio de catalães. Mas, o ruído desta mobilização foi parcialmente abafado pela gigantesca manifestação contra a independência realizada no domingo em Barcelona. Foi a vez da maioria silenciosa fazer barulho.

Ademais, a Europa se manifesta com crescente vigor contra este aventureirismo catalão e a mesma mensagem é expressada pelo dinâmico mundo empresarial catalão que começa a transferir a sede de empresas para fora da região. E mais na brincadeira, o que o Barça fará fora do campeonato espanhol?

Para mim uma das cenas mais maravilhosas na manifestação de domingo foi a exibição de uma tripla identidade, com bandeiras catalães, espanholas e europeias. Este é o presente e deve ser o futuro.

A Catalunha já tem uma autonomia reforçada e é ridículo fazer comparações entre a censurável truculência do governo de Mariano Rajoy com a ditadura franquista. E se for caso de negociar mais autonomia para impedir um divórcio amigável ou litigioso, que assim o seja.

E no caso extremo de uma independência, que apenas fará sentido com regras legais e robustas, como um apoio de pelo menos 60% do total de eleitores catalães, que assim o seja também,

No entanto, nada de perigosos acidentes neste momento da história espanhola e europeia. O país e o continente enfrentam desafios atrás de desafios. Quanto menos, melhor. Estão aí as lições do Brexit, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, com o seu alto custo para ambos os lados. Fora da União Europeia, a Grã-Bretanha será Little England.

Estes são os meus desejos para a Catalunha e a Espanha. Vamos ver os acontecimentos desta terça-feira em Barcelona. Como aprendi, é hora de seny, sensatez em catalão.