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Infeliz aniversário no Sudão do Sul

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 11/07/2017 07h49
Existe o alerta de que o Sudão do Sul está à beira do genocídio. Nada muito reconfortante no norte.

Julho é mês de celebrações gloriosas de revoluções e de independências nacionais. Quem não sabe o que é o 4 de julho dos americanos ou o 14 de julho dos franceses? E o 9 de julho? Data histórica e não apenas para os paulistas com a revolução constitucionalista.

O domingo passado deveria ter sido de muita festa no Sudão do Sul, para celebrar o sexto ano de independência d país africano. Em 2011, foi um lampejo de otimismo e de esperança quando no mapa apareceu o país mais novo do mundo. Neste ano, não havia dinheiro para os festejos na capital, Juba.

A independência em 9 de julho de 2011 marcou o fim de combates entre o sul predominantemente cristão e o norte árabe e muçulmano. A criação do Sudão do Sul foi um sucesso da política externa dos EUA, que advogava a independência desde a época do governo Clinton, numa campanha bipartidária, algo raro em Washington. O contraste foi o fracasso do governo Obama para impedir a degringolada da situação.

As mazelas continuaram e a guerra civil explodiu em 2013 para o Sudão do Sul se converter em um dos piores desastres humanitários no mundo. Mais de 50 mil mortes desde então, milhões de refugiados e, de acordo com a ONU, seis milhões dos 11 milhões habitantes do país vivem em estado de fome, não bastasse a epidemia de violência, em uma país que já nasceu com a marca de ser um dos mais miseráveis do planeta.

Os poços de petróleo se tornaram o mais cobiçado prêmio na guerra civil travada conforme divisões tribais. De um lado, os nuers do vice-presidente Riek Marchar. Do outro, os dinkas do presidente Salva Kiir. Ambos estão entre os dirigentes mais corruptos do mundo.

São relatos de ataques selvagens, estupros e recrutamento de crianças para combater, além de roubo de doações humanitárias vindas de todas as partes do mundo. Existe o alerta de que o Sudão do Sul está à beira do genocídio. Nada muito reconfortante no norte, no Sudão, governado por Omar al-Bashir, condenado por genocídio pelo Tribunal Penal Internacional pelo tragédia dantesca em Darfur, em 2003.

De certa forma, nada disso surpreende. O novo país tem sido cenário de luta há décadas, desde o final da era colonial depois da Segunda Guerra Mundial, quando os britânicos e egípcios colocaram o norte no comando e o sul se rebelou. Aquele conflito persistiu até os anos 70. Uma nova guerra civil explodiu no final da década de 80. Agora é a terceira.

Não é preciso ser um especialista para não vislumbrar luz no fim do túnel. Não haverá celebração com fogos de artifício no sétimo aniversário da independência do Sudão do Sul em 2018.

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