Las Vegas e a fuzilaria de fake news

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 04/10/2017 10h36

EUGENE GARCIA/EFE

O ponto ainda mais grave foi a rápida disseminação destas fake news sobre Las Vegas nos gigantes Google, Facebook e Twitter

Horas depois do massacre em Las Vegas, plataformas que disseminam fake news, em geral associadas à chamada direita alternativa, a alt-right, tinham resolvido alguns mistérios sobre o atirador Stephen Paddock.

A polícia ainda não sabe, mas Paddock, que se matou após assassinar dezenas de pessoas, era um democrata que odiava Donald Trump e se convertera ao islamismo. Nada de novo na frente das fake news. O esquema que prevalece é este de fazer propaganda viral de sua agenda, culpando alguma outra tribo ideológica em um grande evento ou tragédia. E por estes dias, a alt-right é uma campeã das fake news. Tem sido assim desde a campanha eleitoral de 2016.

No caso de Las Vegas, a 4chan, uma plataforma favorita da direita alternativa, saiu na frente para espalhar falsidades. Na sequência, foi a vez de Gateway Pundit, um site especializado em cascatas conspiratórias, que hoje se tornou respeitável a ponto de ter descolado credencial para participar dos briefings da Casa Branca.

O ponto ainda mais grave foi a rápida disseminação destas fake news sobre Las Vegas nos gigantes Google, Facebook e Twitter, mostrando o alcance de manipulação nas redes sociais de algoritmos para politizar uma tragédia da forma mais venal possível.

Obviamente, ativistas de extrema esquerda ou de alguma esquerda alternativa capitalizam, como a alt-right está fazendo esta semana com Las Vegas, e foram disseminadas mentiras garantindo que Stephen Paddock era um supremacista branco.

Coisas pavorosas foram vomitadas por Alex Jones, o magnata à frente do império de desinformação Infowars, excrementos ao estilo de que Las Vegas foi uma tragédia encenada pelo conluio dos democratas que controlam a comunidade de inteligência com seus aliados islâmicos. No Brasil, o vômito de Alex Jones é um banquete para alguns arautos da extrema direita demente como Olavo de Carvalho.

Os impérios Google, Facebook e Twitter estão na defensiva diante das acusações de que permitem propaganda e fake news contaminarem plataformas que congregam imensas multidões. Os conglomerados acusam seus algorritmos pelas falhas e fazem promessas vagas de que as coisas vão melhorar.

Esta semana, o Facebook entregou a uma CPI no Congresso americano três mil anúncios comerciais que foram adquiridos por sites afiliados ao governo russo na campanha eleitoral de 2016, cujo objetivo essencial era desacreditar a candidata democrata Hillary Clinton.

Na guerra de informação, as batalhas são sangrentas e a verdade, como de hábito, é a primeira vítima. Qualquer lance das grandes plataformas para depurar ou monitorar seu conteúdo é rapidamente denunciado por ativistas de extrema direita como censura esquerdista.

O fato é que 2/3 dos adultos americanos se informam ou se desinformam em redes sociais e não através de fontes tradicionais, que hoje ironicamente são acusadas de propagarem fake news.