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Não é hora de rir de Kim Jong-un

  • Por Jovem Pan
  • 16/05/2017 09h15
KCNA/Agência Central de Notícias da Coreia (ACNC)Kim Jung Un ri enquanto celebra com oficiais o lançamento de foguete do último domingo

Não faça tanta piada sobre a Coreia do Norte. O hospício de Kim Jong-un não tem graça, é perigoso. As bravatas do seu regime devem ser levadas a sério, como esta última rodada envolvendo o décimo teste com míssil este ano (realizado no domingo).

Não podemos confirmar a bravata norte-coreana de que este mais recente teste, com um míssil de alcance intermédiário (capaz de viajar até quatro mil quilômetros) é uma nova arma em condições de transportar uma ogiva nuclear pesada para uma distância sem precedentes.

O pessoal do site especializado 38 Norte avalia que este teste representa um nível de desempenho técnico nunca visto com um míssil norte-coreano. Para o engenheiro John Schilling, quem sabe o regime de Kim Jong-un esteja a um ano de possuir um míssil balístico intercontinental capaz de atingir a costa da California e não a cinco anos, conforme a estimativa convencional.

Desde que assumiu o poder em 2011 nesta tirânica dinastia comunista, Kim Jong-un modernizou seu programa nuclear e acelerou a realização de testes (na base de fracasso e acerto), agravando os dilemas da comunidade internacional sobre como lidar com o desafio. Nos últimos três anos, a Coreia do Norte realizou mais testes do que nas três décadas anteriores combinadas.

Nos tempos do pai e do avô de Kim Jong-un, a Coreia do Norte usava seu programa nuclear como ficha de negociação com a comunidade internacional e para conseguir divisas, como na sua parceria com o regime iraniano. E os avanços tecnológicos eram lentos, agora são mais intensos.

E de forma sintomática e inquietante, o jovem ditador não se mostra interessado em negociações consequentes com a comunidade internacional. A frequência dos testes sinaliza que o regime quer se assegurar que as armas possam ser usadas em um conflito.

Em termos imediatos, o novo teste com míssil norte-coreano é um teste para o novo presidente sul-coreano, Moon Jae-un, que assumiu o poder na quarta-feira passada. Ele acena com uma política mais conciliatória ou pelo menos acenava. Agora, o presidente Moon fala que um diálogo com o vizinho depende de uma mudança de atitude.

Kim Jong-un está rindo e se nós fizermos o mesmo será à toa.