O duelo político após o ataque em Las Vegas

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 03/10/2017 08h55

EFE/EUGENE GARCÍA

Uma pesquisa em junho passado inclusive mostrou que por uma margem de 57% a 35%, os americanos acreditam que mais armas tornarão o país menos seguro

Nem de longe ser blasé diante de mais um massacre com armas nos EUA e Las Vegas no domingo à noite foi o maior da história moderna do país. Mas, conhecemos o duelo político logo depois da “ocorrência”.

Os republicanos que recebem contribuições do lobby das armas alertam não ser o momento para politizar a tragédia. O fundamental é oferecer reflexões banais e preces. No máximo, observando que foi coisa de algum lunático. Já os democratas são rápidos no gatilho (e desta vez estão ainda mais ágeis) para pedir controle de armas.

O ciclo ficou mais acentuado desde o massacre de crianças em um escola do estado de Connecticut em dezembro de 2012. E a banda da esquerda tende a ficar mais ruidosa e teatral, em particular pela ausência de qualquer resultado legislativo, apesar da comoção nacional.

Em junho de 2016, depois do que é agora o segundo massacre na história americana, no clube noturno gay de Orlando, os deputados democratas protestaram por 26 horas no plenário diante da decisão da maioria republicana de sequer votar mudanças na legislação de armas.

Quando há votos é para liberalizar as armas, embora as pesquisas mostrem que a opinião pública esteja do lado dos democratas para que ao menos sejam aprovadas tímidas medidas de regulamentação, como na checagem de antecedentes criminais, apoiada por 4 em 5 americanos.

Uma pesquisa em junho passado inclusive mostrou que por uma margem de 57% a 35%, os americanos acreditam que mais armas tornarão o país menos seguro. E qual é a reação da Câmara dos Deputados? Está para aprovar legislação que remove restrições para silenciadores de armas (talvez apenas adie por um tempinho devido à “ocorrência” em Las Vegas). Suas excelências também planejam aprovar medidas que neutralizam leis estaduais que limitam o porte oculto de armas.

Na era Trump, as regulamentações de vento em popa envolvem a segurança nacional e cada vez mais controle para a entrada de estrangeiros no país, com o governo se esforçando no sentido de não parecer que se trata de discriminação de muçulmanos.

Trump até que se comportou nas declarações públicas pós-Las Vegas, mas quando faz comícios para a base não oculta que vai para a cama com a Associação Nacional do Rifle, o poderoso lobby das armas, e dispara mentiras sem cessar que o plano dos democratas é revogar a Segunda Emenda da Constituição, sobre o porte de armas, que os republicanos idolatram como se fosse o bezerro de ouro, confundindo com sinônino de liberdade e direito de combate à tirania

Nem pensar em alvejar esta adoração animalesca.