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O flerte de conservadores americanos com Putin

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 23/12/2016 06h47
SER10 SAN PETESBURGO (RUSIA) 17/06/2016.- El presidente ruso, Vladímir Putin, durante una rueda de prensa junto al primer ministro italiano, Matteo Renzi (fuera de imagen), tras su reunión en el marco del Foro Económico Internacional de San Petersburgo (SPIEF), en Rusia hoy, 17 de junio de 2016. EFE/Sergey ChirikovEFE/Sergey ChirikovVladimir Putin - EFE

Não é nenhuma novidade que partidos da extrema direita europeia vão para a cama com Vladimir Putin e que o presidente-eleito Donald Trump tem uma queda pelo homem forte de Moscou. Mas, também se torna mais flagrante o flerte de conservadores americanos em geral com Putin.

Esqueça a condenação ao dirigente que oprime seu povo, que agrediu a Ucrânia e segura as pontas do genocida Bashar Assad. Agora, com a ascensão de um nacionalismo mais estridente brandido por Trump, Putin é visto como um companheiro de armas, um paladino da soberania nacional diante da globalização e também dos valores tradicionais contra um assalto de forças ameaçadoras, que vão das fluidas identidades sexuais ao radicalismo islâmico.

Uma pesquisa divulgada esta semana pelo empresa YouGov revela um impressionante salto entre os republicanos na visão favorável de Putin. Foi de 10% em julho de 2014 a 37% hoje. Um fator decisivo foi Trump na campanha eleitoral ter batido na tecla que o presidente Obama era um fraco, enquanto Putin projetava força e liderança

Mesmo a controvérsia sobre os hackers russos interferindo na eleição americana não demoveu republicanos deste sentimento de simpatia em relação ao ex-coronel da KGB Putin. 

Pat Buchanan, um veterano político e precursor do nacionalismo econômico e da xenofobia de Trump, argumenta que os adversários de Trump nos EUA são retrógrados, pois enxergam Putin com as lentes da Guerra Fria. Na verdade, os inimigos hoje são a elite transnacional e os militantes politicamente corretos.

Existe uma ironia nesta mudança de paradigma. Putin considera o Ocidente decadente e frouxo. Quem sabe, a maior prova esteja na crescente intimidade de conservadores com um sujeito basicamente sequioso pelo poder, sem ideologia, sem escrúpulos e empenhado em restaurar as glórias passadas do império russo.

E há uma segunda ironia: na linha de resistência a Putin está o Partido Democrata. Em parte é oportunismo, pois o presidente russo hoje é visto com simpatia por Trump e cada vez mais pelos conservadores. A pesquisa YouGov mostra os democratas com um visão negativa do dirigente russo, como de hábito. Isto comprova consistência. O núcleo do Partido Democrata sempre foi adversário dos russos na Guerra Fria, integrando um consenso bipartidário.

Uma grande vitória de Putin é ter rachado este consenso americano.