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O horror Irma poderia ter sido pior

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 12/09/2017 10h50
EFE/Latif KassidiSão semanas terríveis para ficar nas bandas norte-americanas, não apenas com furacões, como Harvey, no Texas, mas com o terremoto no México

Nada a questionar sobre a declaração do presidente Donald Trump na segunda-feira, 11 de setembro, que, por sinal, sempre será uma data sombria nos EUA, de que o furacão Irma foi de uma “severidade catastrófica.”

No entanto, gostaria apenas de observar que poderia ter sido muito pior.  Nem de longe, estou minimizando o impacto em termos de perda de vidas, tanto nos EUA, como nos endereços anteriores da visita de Irma no Caribe e em Cuba. E vamos lembrar que são semanas terríveis, para ficar nas bandas norte-americanas, não apenas com furacões, como Harvey, no Texas, mas com o terremoto no México.

Mas, repetindo, poderia ter sido pior, muito pior. Vamos colocar as coisas no contexto. Não gosto de comparar tragédias americanas com tragédias em outros lugares. Sempre prefiro colocar tudo no seu devido lugar e assim prefiro comparar os EUA com os EUA.

Assim, é impresionante como o custo em vidas e em termos materiais pôde ser mitigado. Antes de tudo, o serviço de meteorologia melhorou horrores de um século para cá, assim como a qualidade da construção, apesar das críticas feitas frequentemente sobre frouxidão nas regulamentações nos EUA, neste caso mais no Texas do que na Flórida.

Então, vamos ao contexto: pelo menos seis mil pessoas morreram quando um furacão na categoria 4 atingiu de forma inesperada a cidade de Galveston, no Texas, em 8 de setembro de 1900. E fala-se que o número pode ter sido perto de 10 mil. Não houve retirada dos habitantes na cidade-porto. Eles ficaram à mercê do monstro da natureza. Galveston permanece como a tempestade que mais mortes causou na história dos EUA.

Por uma década, o meteorologista-chefe no estado do Texas insistia que era um absurdo acreditar que Galveston pudesse ser devastada por um furacão. Assim, ele convenceu as autoridades a não investirem em um muro de proteção contra o mar, o que poderia ter salvo milhares de pessoas quando a tempestade chegou.

Na época, Cuba era pioneira na detecção de furacões e seus meteorologistas tinham um conhecimento mais sofisticado do que os colegas dos EUA. No entanto, os profissionais cubanos eram tratados com desprezo pelos americanos e havia uma proibição para que os meteorologistas em Havana transmitissem telegramas de alerta diretamente para os EUA. As mensagens precisavam passar pelo governo.

Assim, informações cruciais não foram passadas. O resto foi uma história trágica.