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O pesadelo dos “dreamers” no Estados Unidos

  • Por Jovem Pan
  • 06/09/2017 10h32
EFETrump anunciou o fim do programa implantado por decreto de Barack Obama em 2012, que protegia de deportação e do alcance da lei os filhos de imigrantes ilegais que foram trazidos aos EUA ainda crianças

Para quem ainda não fez a migração, não existem motivos para adiar. Não se aferre à imagem que Donald Trump, o embrulhão, quer vender. Sabemos que ele é demagogo, inexperiente e grosseiro, mas em contrapartida existe a venda do prêmio de consolação.

Ao menos, os EUA têm um líder indomável, com coragem de ir contra a corrente e determinado a combater o politicamente correto. Trump seria um Churchill da Era do Twitter.

Nada disso e eu preciso de mais caracteres do que um tuíte para desconstruir este prêmio de consolação. Na terça-feira, ficou mais uma vez flagrante, para quem ainda não tinha percebido, que Trump é um covarde, incapaz de assumir responsabilidade e com o pendor de passar a culpa para os outros caso fracasse. Além de ser um mentiroso patológico, Trump se faz de desentendido quando tudo complica.

Pois bem, na terça-feira, como se esperava, Trump anunciou o fim do programa implantado por decreto de Barack Obama em 2012, que protegia de deportação e do alcance da lei os filhos de imigrantes ilegais que foram trazidos aos EUA ainda crianças. São os 800 mil “dreamers”, os sonhadores.

Estudos mostram que 80% deles chegaram ao país com menos de 10 anos de idade e com o decreto de Obama adquiriram um status menos precário, inclusive com o direito de trabalhar legalmente se atendessem a certos requerimentos.

Muitos escaparam do furacão Harvey no Texas, mas não do furacão Donald, sempre animado para paparicar a sua base nativista, aquela assolada pela ideia de que a América, terra de imigrantes, foi tomada dela por qualquer tipo de forasteiro. Em janeiro, logo após a posse, Trump disse que tinha um grande coração e que os dreamers não precisavam se preocupar. E repetiu a xaropada sobre o grande coração agora na terça-feira. Really?

A malandragem política de Trump é matar gradualmente o programa, ao invés de um assassinato fulminante. A alegação é a de que assim o governo mostra compaixão.

Agora, o Congresso, incapaz há anos de costurar uma reforma de imigração, tem seis meses para resolver o problema dos sonhadores. A opção de Trump, portanto, é adiar decisões salgadas e culpar alguém se tudo terminar em impasse ou encrenca.

A reputação de Trump como um líder decisivo é uma farsa. Nos seus primeiros sete meses de governo, o padrão tem sido se eximir do ônus. O caso mais flagrante até agora foi no fiasco para repelir o plano de saúde de Obama e substituí-lo por outro. O presidente jogou a culpa na liderança republicana no Senado, como se pertencesse a um outro partido, o Partido de Trump.

Não é à toa que na pesquisa da Universidade de Quinnipiac, Trump teve uma declínio de 19 pontos no quesito de uma forte liderança desde a posse em janeiro. Agora, apenas 37% dos americanos o consideram um líder forte. Não será uma surpresa se Trump enfraquecer ainda mais. Mais gente vai migrar deste presidente.