O vitimismo lulês de Donald Trump

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 18/05/2017 08h27
MR30 WASHINGTON (ESTADOS UNIDOS) 13/03/2017.- El presidente estadounidense, Donald Trump durante una reunión del gobierno en la Casa Blanca, en Washington, Estados Unidos, hoy, 13 de marzo de 2017. EFE/Michael ReynoldsEFE/Michael ReynoldsDonald Trump

Com um vitimismo lulês, Donald Trump disse na quarta-feira que nenhum político na história e, eu repito, na história, foi tratado de forma tão injusta e pior do que ele.

Declaração hiperbólica, narcisista e ignorante feita, na formatura de cadetes da Guarda Costeira. A gente conhece o estilo. Imagine, Trump faz este chororô quando quatro presidentes americanos foram assassinados na história.

Trump não é maltratado. Ele está encurralado e isto é justo. Encurralado como nenhum presidente em começo de governo, apenas cinco meses. E o cerco se acentuou na quarta-feira à noite com o anúncio do ministério da Justiça de que o ex-diretor do FBI, Robert Mueller, será o promotor especial encarregado de supervisionar a investigação sobre interferência russa nas eleições do ano passado em possível conluio com a campanha de Trump.

O anúncio foi bem recebido, pois Mueller tem reputação de independência e de ser apolítico, embora saiba trafegar nos corredores do poder. Foi diretor do FBI nos governos do republicano George W. Bush e do democrata Barack Obama.

A decisão de escolhê-lo é uma concessão do ministério da Justiça em meio a clamores de alguns democratas por impeachment de Trump e de um coro mais barulhento até da maioria republicana no Congresso por uma investigação mais rigorosa no caso.

A pressão aumentou especialmente depois das revelações na terça-feira de que o presidente pediu em fevereiro ao ex-diretor do FBI, James Comey, que encerrasse a investigação sobre seu ex-assessor de segurança nacional Michael Flynn, enrolado até o pescoço na confusão.

Em última instância, o pedido de Trump pode se configurar como obstrução de justiça. O terreno, portanto, está cada vez mais minado para o presidente. Além da entrada em cena de Robert Mueller, estão em curso investigações sobre a conexão russa, tanto no Senado, como no Câmara. E não devemos esquecer que no cenário está o ofendido James Comey, demitido por Trump, empenhado em revelar as manobras do governo.

Já Robert Mueller terá ampla margem na investigação, inclusive para mover acusações criminais. Ao seu estilo, Trump nem esperou uma hora após o anúncio do nome de Mueller para bravatear que a investigação irá concluir que não houve conluio entre sua campanha e os russos.

A vida está dura para o pobre Donald.