Obama fracassou na guerra de milícias; agora é a vez de Trump

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 23/05/2017 05h55
EFEDonald Trump - efe

Na guerra de milícias teocráticas do Oriente Médio, não existem sinais de pacificação. Pelo contrário. O tiroteio ameaça se intensificar.

Uma das grande milícias fica no Complexo dos Aiatolás. Lá existe um paradoxo: o chefe supremo é realmente maligno, empenhado em exportar terrorismo, sonha em ter umas bazucas nucleares e dá uma força para bandidos psicopatas como o sírio Bashar Assad.

Mas, a sociedade é vibrante, com amplos setores querendo se livrar do sufoco religioso, escapar do isolamento e curtir a vida. A prova está na reeleição do presidente Hassan Rouhani. Ele é filhote do chefão da milícia, o aiatolá Khamenei, mas tem uma visão mais pragmática das coisas. Porém, sua margem de manobra é limitada num sistema híbrido que combina componentes ditatoriais e democráticos. Dito isso, vamos reiterar que a palavra final é do chefão.

Na outra grande milícia, não existem paradoxos ou situações híbridas. A Arábia Saudita é um regime religioso fundamentalista, no qual a situação de mulheres, gays e minorias é ainda mais vexaminosa do que no Ir ã. No entanto, o país é aliado tradicional dos americanos e suas barbaridades são mais toleradas.

O novo poderoso chefão em Washington está recolocando as coisas no seu devido lugar. Subiu no morro esta semana, ou melhor dizendo, desceu no deserto, para anunciar que está se lixando para estas frescuras de direitos humanos. O negócio é acertar negócios e fechar o cerco em torno do Irã.

Na guerra de milícias, Donald Trump fecha com a milícia bling bling de Riad, desmontando o plano de Barack Obama, que calculou que seria possível acertar algum pacto entre as milícias. Para tal, Obama investiu num acordo nuclear com o Irã e fez concessões horrorosas aos aiatolás, como ignorar a repressão de manifestantes pró-democracia e permitir que os milicianos xiitas aprontassem barbaridades na Síria.

Obama fracassou na tarefa de pacificação. Agora será a vez de Trump fracassar.