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Os generais: a esperança que não pode morrer

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 28/08/2017 10h14
O general Kelly, o chefe da Casa Civil, nem sempre esconde sua exasperação com as ações de Trump

Os EUA não são uma república de banana, mas no país amadurece um sistema esquisito de governança que não deixaria orgulhosos os pais da pátria: uma espécie de junta militar tenta governar o descontrolado presidente Donald Trump. Lá estão o chefe da Casa Civil, general Kelly; o secretário de Defesa, general Mattis, e o assessor de segurança nacional, McMaster.

O padrão é associar generais a excessos, mas no caso Trump eles são uma força de moderação. Obviamente o grau de eficiência é limitado, como comprovam as ações do presidente nos últimos dias,.

Tivemos um grotesco comício no estado do Arizona, digno de um Mussolini, o seu primeiro perdão, justamente ao ex-xerife racista do Arizona, Joe Arpaio, e é claro a ambígua resposta à marcha neonazista na cidade de Charlottesville, quando Trump disse que existiam muitos lados na confusão e que havia gente boa entre aqueles que marchavam com os supremacistas brancos.

As barbaridades ditas e feitas por Trump geram mais instabilidade no país. Sem dúvida, o presidente anima sua base, uns 25% do eleitorado, enquanto os generais servem de anteparo e acabam guiando os interesses mais estratégicos do país, como forçar o presidente a fazer o que eles queriam no Afeganistão, ou seja, manter a presença militar americana em uma país sem solução à vista.

Este sistema é bom? Claro que não. No entanto, tempos extraordinários exigem um modo de operação extraordinário. O general Kelly, o chefe da Casa Civil, nem sempre esconde sua exasperação com as ações de Trump, mas sabe que seria quixotesco tentar impedir as tuitadas presidenciais ou que ele intensifique sua guerra contra a própria liderança republicana no Congresso, cuja proeza é ser ainda mais impopular do que o chamado chefe do Executivo.

Ao menos, o general se mostra capaz de colocar um pouco de ordem na casa, sim, na Casa Branca, espirrando de lá agitadores da alt-right, a direita alternativa, como Steve Bannon e Sebastian Gorka. O próprio Trump tem um desempenho curioso. Ele é uma mistura de agitador e de presidente. Donald Trump está dentro e fora do governo.

A situação está espinhosa, mas devemos ser otimistas sobre o dia de hoje, afinal dias piores virão. Nunca sabemos o que Trump vai aprontar amanhã, como irá reagir ao crescente cerco nas investigações no Congresso e pelo promotor especial sobre suas conexões russas e a crises internacionais, a destacar as provocações da Coreia do Norte.

Eu nunca imaginei que diria uma coisa assim: graças a Deus por estes generais atuando como um poder paralelo em Washington.