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Os riscos assumidos e os negados na Flórida com a chegada do furacão

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 11/09/2017 08h23
ReproduçãoEu creio que o governador age muito bem na urgência do momento, avalia Blinder

Ex-executivo da indústria médica, Rick Scott, o governador republicano da Flórida, é homem de colocar a mão a massa. E nos últimos dias, ele tem sido infatigável para comandar o seu estado, primeiro na preparação contra o furacão Irma e agora para enfrentar o monstro.

Eu creio que o governador age muito bem na urgência do momento, inclusive quando lançou seus alertas de profeta do Apocalipse, implorando para que os residentes da Flórida obedecessem as ordens e caíssem fora das áreas mais vulneráveis. Nestas horas, melhor o excesso de zelo. E tampouco tenho dúvidas que Rick Scott será eficiente no trabalho imediato do dat after ao furacão, seja por onde ele passe na Flórida.

No entanto, o mesmo vigor e a mesma sensibilidade não estiveram presentes ao longo dos anos na preparação contra os efeitos inevitáveis das mudanças climáticas em um estado como a Flórida, com sua imensa costa (a maior dos EUA, com quase dois mil quilômetros)  e baixa elevação.

Sim, a Flórida é um dos estados mais vulneráveis aos riscos de crescente nível do mar e eventos relacionados a mudanças extremas de clima, inclusive furacões. E tudo isso está vinculado ao aquecimento global.

Rick Scott pertence a um partido, que comanda o Executivo e Legislativo, desinteressado ou em negação sobre o impacto das mudanças climáticas.

O governador em particular raramente toma conhecimento dos desafios e não se empenha em promover projetos que ajudem o estado a se ajustar ao perigo de tempestades como Irma. Ao estilo de tantos políticos republicanos, Rick Scott rebate de forma covarde e com uma resposta padrão quando questionado sobre mudanças climáticas: “Eu não sou cientista”.

Scott chegou ao ponto de desencorajar funcionários públicos estaduais a usarem termos como mudança climática e aquecimento global.

Já o antecessor de Scott, Charlie Crise (que deixou de ser republicano e hoje é deputado democrata) tratou o desafio da mudança climática como prioridade, empenhado em reduzir os efeitos do gás-estufa e determinar códigos de construção mais rigorosos em termos de eficiência energética, além de promover fontes alternativas de energia.

Furacão é avassalador e as precauções significativas de proteção estratégica são empreendidas em esferas locais na Flórida, como na badalada Miami Beach, que gastou meio bilhão de dólares para elevar o nível das ruas e vias expressas e também na construção de um sistema de drenagem de água em tempestades.