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Pé na estrada no feriado de 4 de julho

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 03/07/2017 08h36
Wikimedia CommonsRoad Trip: percurso de dois mil quilômetros de NY a Miami

Onde eu estava com a cabeça ao colocar o pé na estrada? De certa forma, eu estou sendo patriota como milhões de americanos neste feriadão da independência, o 4 de julho, e decidi viajar. Mas, viajei mesmo quando convenci a madame Blinder a ir a Miami, de carro, partindo de casa, em um subúrbio de Nova York, para um percurso de dois mil quilômetros.

O bravo casal enfrentou a muito congestionada estrada interestadual 95 com suas obras perpétuas, os outros idiotas que também viajam de carro ao longo da costa leste americana, um toró e motel chulé (ao menos tinha vagas) na road trip de dois dias.

Ok, minha intempérie não tem nada especial, road trip banal. Não pode ser comparada às viagens dos desbravadores de norte a sul, ou de leste a oeste, desde os tempos em que se descobriu que a Terra é redonda. No entanto, fiquei impressionado com a minha disposição para encarar a estrada. Seria pretensão falar em coragem.

Não encarava há décadas um percurso tão longo de carro (já levei filha pequena de carro de Nova York até a Disney em Orlando). E no final das contas, colocar o pé na estrada reafirma como estou em casa neste país. Minha primeira road trip aqui foi em 1981, na costa oeste, de Los Angeles a San Francisco, num cenário de filme.

Confesso aos brasileiros que conheço bem mais os EUA do que o Brasil. De um total de 50 estados, desconheço apenas uma meia dúzia e olha que nunca fiz campanha eleitoral ou fui hippie.

Há minha viagem realmente memorável de oito meses de duração em 1986, com uma bolsa de jornalismo em que cruzei o país, mandando reportagens para a Folha de S. Paulo (a foto acima é na minha passagem pela cidade de Brazil, no estado de Indiana.

Éramos 12 jornalistas estrangeiros em duas vans. Apenas dois motoristas por veículo, eu era um deles. Algo que minha mulher nunca acreditou. Agora na viagem de Nova York a Miami, empacados na Virgînia e no volante quase todo o tempo, ela precisava escutar novamente minhas impressões daquela viagem.

Pera aí, ainda tenho algo para contar sobre a road trip de julho de 2017. Já na Flórida, pifou o ar condicionado do carro. Estávamos no domingão em Daytona Beach. E achamos um mecânico aberto bem em frente ao autódromo. Onde mais?

Pobre Alma….este é o nome da minha mulher. Onde ela estava com a cabeça ao concordar com esta batalha no 4 de julho?