Esta é a história de dois líderes do mundo transatlântico, da separação de caminhos que começa a ser traçada na aliança ocidental.

Donald Trump retornou de sua primeira viagem internacional como presidente e no domingo tuitou que seu tour de nove dias no Oriente Médio e Europa fora um sucesso.

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Também no domingo, Angela Merkel, em comício em busca de reeleição e do quarto mandato, disse que chegou a hora da Europa planejar a sua própria rota, pois não pode mais depender completamente dos EUA como um parceiro de confiança.

Merkel também mencionou uma nova realidade para a velha Europa, assim que a Grã-Bretanha consumar sua saída da União Europa em dois anos, de olho na necessidade de revitalizar o núcleo duro desta união agora que Emmanuel Macron governa a França

No sábado, ao final da cúpula do G-7 na Sicília, a primeira-ministra alemã fora mais diplomática, dizendo que o resultado do encontro tinha sido insatisfatório, com Trump isolado ao se recusar a endossar o acordo climático global de Paris.

Antes da Sicília, fora a reunião de cúpula da Otan, a aliança militar ocidental em Bruxelas, com a memorável cena de Trump tratando bruscamente o primeiro-ministro do pequeno Montenegro para ocupar o centro da cena na foto oficial. No discurso, Trump passou um pito nos aliados ocidentais por suas contribuições na defesa e reclamou em particular dos alemães por seu superávit comercial.

Tais atitudes de Trump, destratando os tradicionais aliados ocidentais, com os quais os EUA compartilham valores democráticos, contrastam com sua postura solícita na escala saudita da viagem. Amoral e meramente transacional, Trump não leva em conta fatores como a importância de zelar por alianças cimentadas, não apenas por fatores estratégicos, mas por esta comunhão de valores, como é o caso da aliança dos Estados Unidos com a Europa.

Existe uma lógica para Trump definir sua viagem internacional como um sucesso. Mas não nos seus termos. Em primeira lugar, sua efusividade em Riad comprova que ditadores e aqueles que consideram a arena internacional um mero bazar de negócios podem se sentir à vontade com o presidente americano.

E em segundo lugar, as escalas europeias foram um sucesso para a Rússia e para a China. No caso de Vladimir Putin, um racha entre americanos e europeus é prioridade russa desde o final da Segunda Guerra Mundial e para a China esta incapacidade de Trump para liderar o mundo abre mais espaço para o regime de Pequim assumir este papel.

Portanto, quem tem motivos para brindar o sucesso de Donald Trump?