0:00
0:00

Sem hipérbole, depoimento de ex-diretor do FBI é histórico

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 08/06/2017 13h28
EFE/Michael Reynolds/Shawn ThewEFE/Michael Reynolds/Shawn ThewPresidente dos EUA Donald Trump e ex-diretor do FBI James Comey
WASHINGTON (ESTADOS UNIDOS), 17/05/2017.- Combo de imágenes de archivo que muestran al presidente estadounidense Donald Trump (i) y al exdirector del FBI James Comey. El exdirector del FBI James Comey declarará este jueves ante el Comité de Inteligencia del Senado que el presidente Donald Trump le pidió "lealtad" y le solicitó que "dejara pasar" las investigaciones relativas a su exasesor de seguridad nacional, Michael Flynn, por sus vínculos con Rusia. EFE/Michael Reynolds/Shawn Thew

A era Trump é a era da hipérbole, mas não é exagero definir como histórico, na escala dos depoimentos da era Watergate, o testemunho público nesta quinta-feira no Congresso de James Comey, ex-diretor do FBI.

Ouça o comentário AQUI.

Donald Trump demitiu Comey há um mês e falastrão como ninguém disse que foi por causa “daquela coisa russa”, ou seja, as investigações que o FBI e também comissões do Congresso realizam sobre interferência russa nas eleições do ano passado e possível conluio com a campanha do agora presidente.

A questão chave nesta quinta-feira é até onde Comey irá configurar as atitudes de Trump em relação ao seu trabalho, ou seja, houve obstrução de justiça? É difícil imaginar que Comey possa ser tão explícito nas suas alegações, especialmente quando for submetido à sabatina dos senadores.

Na quarta-feira, ele antecipou sua declaração inicial no inquérito do Senado, dizendo que o presidente pediu que fosse encerrada a investigação sobre Mike Flynn, o ex-assessor de segurança nacional, no coração do escândalo das conexões. Na expressão de Comey, Trump pediu que fosse removida a nuvem das investigações.

O fato é que existem informações de outros altos funcionários do FBI e de autoridades da administração que corroboram as alegações de Comey de que Trump pediu que ele não levasse adiante as investigações. No entanto, eu reitero que a questão é se estes lances se configuram como obstrução de justiça, algo na rota de impeachment.

A jogada do governo Trump é desacreditar ao máximo Comey, ou seja, está em andamento um duelo de credibilidades. Já o foco dos senadores republicanos, que são a maioria, são os vazamentos de informações e menos a escandalosa interferência russa na vida política americana.

Existe alta ansiedade sobre este depoimento público de Comey, um fantástico teatro político, mas não vamos esquecer que os aspectos mais picantes e delicados não serão divulgados. Serão fornecidos pelo ex-diretor do FBI no depoimento a portas fechadas.

O fato é que Trump vive os piores dias de sua presidência, que ainda não chegou aos cinco meses de vida. Suas atitudes são incoerentes, sua fuzilaria de tuítes incomoda cada vez mais sua equipe de governo e de fato não param de vazar informações sobre intrigas palacianas e o comportamento instável do presidente.

E olha que eu relato tudo isso sem hipérboles.