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Televisões americanas são protagonistas no jogo político dos EUA

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 15/07/2017 09h56
EFE/Sergei IlnitskyGraças a Trump, a audiência de três emissoras subiu de forma significativa e o crescimento mais sustentável é o da esquerdista MSNBC, porta-voz da chamada resistência ao presidente.


Falar muito das redes de telejornalismo por assinatura dos EUA nunca é demais. Elas são protagonistas essenciais no jogo político e basicamente o mais nutritivo, talvez o único alimento intelectual de Donald Trump.

Como sabemos, o presidente tuíta de forma patológica sobre a tietagem da Fox News e dispara a respeito do que considera a desonestidade patológica da CNN e por extensão o resto da mídia. Para ele, imprensa honesta é imprensa chapa branca, coisa típica de caudilho.

Hoje, porta-voz e instrumento de agitprop da era Trump, a Fox News prosperou nos governos Bush (republicano) e Obama (democrata). Com a turbulência motivada por escândalos de assédio sexual no seu alta escalão (corporativo e jornalístico), havia a perspectiva de que os 15 anos de hegemonia da Fox News no mundo do telejornalismo por assinatura tinham chegado ao fim.

Devagar com o andor. Seu público, essencialmente de homens brancos mais velhos, é fervoroso. Na lógica deste público, notícia do contra é fake news ou, pior, irrelevante. Pode ser verdade, mas é daí? O foco deve ser o inimigo e não os nossos pecados.

É verdade que a Fox News navega em águas turbulentas e enfrenta uma competição mais dura das rivais CNN (ideologicamente centrista) e a MSNBC, como a porta-voz de Trump assumidamente militante, mas de esquerda.

A boa notícia para a Fox News (e de fato não é fake) é sua capacidade para preservar a liderança de audiência no setor. A emissora terminou em primeiro lugar no segundo trimestre do ano, tanto em número total de espectadores no horário nobre, como no filão demográfico de pessoas na faixa de 25 a 54 anos de idade.

Tucker Carlson se provou um sólido substituto para Bill O’Reilly, a estrela que caiu devido a escândalo sexual. O Instituto Blinder & Blainder informa: sai abominável, entra abominável.

No entanto, a paisagem mudou. Graças a Trump, a audiência das três emissoras subiu de forma significativa e o crescimento mais sustentável é o da esquerdista MSNBC, porta-voz da chamada resistência ao presidente. Na faixa entre 25 e 54 anos, a sua alta foi de 72%  (na Fox foi de 21%), estreitando o fosso em relação à porta-voz do governo. A antítese de Tucker Carlson é Rachel Maddow, adorada e odiada como o garotão da Fox News.

A liderança da Fox News tem sofrido uma erosão desde a eleição de novembro e os escândalos sexuais que assolam a emissora. E novos incidentes. Na semana passada, foi a suspensão de um apresentador da Fox Business Network, o canal financeiro, investigado por assédio sexual.

E no ar existe outro tipo de ameaça para a Fox News. Além da competição mais à esquerda, pipocam emissoras que desfraldam o trumpismo ainda com mais ardor, além de sites de agitprop, fake news e teorias conspiratórias como Breitbart e Infowars.

Manter hegemonia imperial não é fácil. Isto é um fato.