0:00
0:00

Trump não é exatamente um escoteiro no respeito às instituições

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 28/07/2017 08h51
EFE/CRISTOBAL HERRERAEFE/CRISTOBAL HERRERAAo longo da semana, Trump continuou acampado na lama presidencial

O começo da semana sinalizou mais uma vez que Donald Trump não é exatamente um escoteiro no respeito às instituições. Ele ainda não entendeu e provavelmente nunca entenderá que na condição de chefe de estado (além de chefe de governo) existe um componente cerimonial, não partidário, que é parte do cargo.

E mais uma sem-vergonhice aconteceu justamente quando ele falou para os escoteiros na segunda-feira no seu encontro nacional. Sim, garotada acampada.

Houve uma ou outra banalidade presidencial sobre humildade e integridade, mas o grosso do papo foi em ritmo eleitoral, com disparos contra Barack Obama, Hillary Clinton, fake news, sua fantástica eleição e por aí. Trump até induziu a garotada a vaiar Hillary, rompendo as regras dos escoteiros que proíbem atividades políticas quando estão de uniforme. Na quinta-feira, o chefe dos escoteiros pediu desculpas às famílias da garotada pelo comportamento do presidente.

E ao longo da semana, Trump continuou acampado na lama presidencial. Ele disparou tuítes e ataques públicos contra senadores republicanos e contra seu próprio ministro da Justiça, Jeff Sessions, sujeito ultraconservador, encarregado de implantar a agenda trumpista em imigração, questões de lei e ordem e supressão de direitos.

No entanto, há um limite e Sessions respeita o cargo e se recusa a prestar lealdade pessoal e fazer o trabalho mais sujo exigido por Trump para sabotar as investigações empreendidas no próprio ministério sobre possível conluio entre os russos e a sua campanha eleitoral, da qual o ministro participou. Trump frita o ministro, mas não o demite e ele não pede demissão.

Trump acha que o governo e o estado estão à sua disposição. Governa movido por seu ego e através de tuítes, como na tentativa de desviar as atenções, surpreendendo o próprio Pentágono ao tuitar o anúncio de que transgêneros não podem servir nas Forças Armadas.

A sem-vergonhice Trump é infindável. Com ele, são os Estados Unidos do Caos. Seu governo é simplesmente disfuncional. Basta ver o seu novo diretor de “comunicação”, um sujeito chamado Anthony Scaramucci. A imprensa está tendo orgasmos com sua boca suja, vomitando “fucking pra cá, fucking pra lá”, nas suas brigas com outros assessores do alta escalão do governo.

Até a ultraconservadora página editorial do Wall Street Journal estima que Trump está cruzando as linhas éticas quando sugere que Jeff Sessions processe Hillary Clinton, num gesto de vingança, digno de gângsters políticos como o turco Erdogan e o filipino Duterte. Sim, o Wall Street Journal coloca o presidente dos Estados Unidos da América na vala destes dois aí.

Um teste mais dramático de gangsterismo político seria a audácia de Trump para forçar a demissão do promotor especial Bob Mueller, encarregado das investigações sobre as conexões russas. Tal gesto deflagraria uma crise constitucional.

Sempre há especulações em torno do mistério que é a tietagem de Trump em relação a Vladimir Putin. Será que o ex-coronel da KGB realmente tem material que comprometa o chefe de estado dos EUA, aquilo que em russo é conhecido como krompromat?

O fato é que presidente, petulante em público, parece em pânico agora que Bob Mueller expandiu suas investigações para os negócios das organizações Trump. Na lição de Watergate, follow the money, siga o dinheiro. Sem nunca esquecer que Donald Trump jamais foi escoteiro na vida.

PS- e a semana culminou com o devastador fracasso para Trump e os republicanos na votação no Senado na madrugada desta sexta-feira para a rejeição do Obamacare, devido à deserção do bravo soldado John McCain e de duas senadoras republicanas. Trump vai escada rolante abaixo.