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Único culpado pelo ataque nos EUA é o atirador

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 16/06/2017 07h00 - Atualizado em 29/06/2017 00h32
EFE/Im Lo ScalzoEFE/Im Lo ScalzoDeputado republicano Steve Scalise
MHR04 WASHINGTON (ESTADOS UNIDOS) 15/06/2017.- Imagen de archivo fechada el 19 de junio de 2014, que muestra al congresista republicano Steve Scalise dando un discurso tras ser elegido como el nuevo presidente de la cámara en Washington (EE.UU.). Scalise, de 51 años y representante por Luisiana, recibió un disparo en la cadera y se encuentra en condición "crítica" hoy 15 de junio de 2017, aunque recuperándose de las heridas, después de ser agredido durante unos entrenamientos para un partido de béisbol en Alejandía, Virginia (EE.UU.) según informó el centro hospitalario, donde fue sometido a una operación de urgencia ayer 14 de junio de 2017. EFE/Im Lo Scalzo

Na quarta-feira, após os tiros que feriram o deputado republicano Steve Scalise e mais quatro pessoas perto de Washington, Peter Beinart escreveu um texto na revista The Atlantic sobre o “clima” político e de virulência verbal nos EUA. Há um fogo cruzado (metafórico com raras exceções) entre liberais e conservadores (esquerda e direita no jargão brasileiro); entre democratas e republicanos.

James Hodgkinson, o atirador morto devido aos ferimentos recebidos após ser alvejado pela polícia, era um simpatizante de Bernie Sanders, o radical de esquerda que perdeu para Hillary Clinton, nas primárias democratas.

Ele desprezava Hillary, mas seu ódio mais intenso alvejava republicanos e o presidente Trump. Isto está patente nos seus posts nas redes sociais, que devem ser acrescidos a seu prontuário de violência doméstica.
Beinart cita pesquisa acadêmica sugerindo que retórica política violenta e desumanizadora aumenta o apoio à violência entre pessoas predispostas à agressão. E meu ponto óbvio: o culpado pelos tiros é o atirador. 
No entanto, existe um jogo de culpa nestas horas. Há republicanos acusando o senador Bernie Sanders por ações de um simpatizante. Em 2011, quando a deputada democrata Gabrielle Giffords foi baleada, foram disparadas acusações contra republicanos, a destacar Sarah Palin, uma voz estridente no movimento conservador.
Este alerta sobre retórica perigosa não deve, por outro lado, inibir cidadãos, ativistas e jornalistas de expressarem indignação política e moral com o que consideram errado.
Trump, por exemplo, não se tornou um presidente melhor apenas pelo fato de um deputado republicano ter sido vítima de violência e deve ser denunciado causticamente pelo o que representa. 
No entanto, o episódio recomenda uma pausa para reflexão, além da constatação de que um assalto contra um representante do povo é um assalto contra a democracia.