Na quarta-feira, após os tiros que feriram o deputado republicano Steve Scalise e mais quatro pessoas perto de Washington, Peter Beinart escreveu um texto na revista The Atlantic sobre o “clima” político e de virulência verbal nos EUA. Há um fogo cruzado (metafórico com raras exceções) entre liberais e conservadores (esquerda e direita no jargão brasileiro); entre democratas e republicanos.

James Hodgkinson, o atirador morto devido aos ferimentos recebidos após ser alvejado pela polícia, era um simpatizante de Bernie Sanders, o radical de esquerda que perdeu para Hillary Clinton, nas primárias democratas.

Ele desprezava Hillary, mas seu ódio mais intenso alvejava republicanos e o presidente Trump. Isto está patente nos seus posts nas redes sociais, que devem ser acrescidos a seu prontuário de violência doméstica.
Beinart cita pesquisa acadêmica sugerindo que retórica política violenta e desumanizadora aumenta o apoio à violência entre pessoas predispostas à agressão. E meu ponto óbvio: o culpado pelos tiros é o atirador. 
No entanto, existe um jogo de culpa nestas horas. Há republicanos acusando o senador Bernie Sanders por ações de um simpatizante. Em 2011, quando a deputada democrata Gabrielle Giffords foi baleada, foram disparadas acusações contra republicanos, a destacar Sarah Palin, uma voz estridente no movimento conservador.
Este alerta sobre retórica perigosa não deve, por outro lado, inibir cidadãos, ativistas e jornalistas de expressarem indignação política e moral com o que consideram errado.
Trump, por exemplo, não se tornou um presidente melhor apenas pelo fato de um deputado republicano ter sido vítima de violência e deve ser denunciado causticamente pelo o que representa. 
No entanto, o episódio recomenda uma pausa para reflexão, além da constatação de que um assalto contra um representante do povo é um assalto contra a democracia.