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A Venezuela à beira de uma guerra civil?

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 26/07/2017 10h45
EFEO protesto contínuo e sangrento nas ruas não levou à fadiga; as artimanhas de Maduro para ganhar tempo e dividir a ampla coalizão de oposição não surtem efeito e um chavismo dissidente se cristaliza

A expressão semana decisiva é uma muleta analítica das mais deficientes, mas em algumas ocasiões expressa o vigor do momento, como no aqui e agora na Venezuela.

A partir desta quarta-feira é uma greve geral de 48 horas contra a ditadura de Nicolás Maduro convocada pelo oposição. Na sexta-feira, será uma manifestação nacional maciça contra a farsa eleitoral do final do mês para a implantação de uma assembleia constituinte.

O vigor da oposição supera as expectativas. O protesto contínuo e sangrento nas ruas não levou à fadiga; as artimanhas de Maduro para ganhar tempo e dividir a ampla coalizão de oposição não surtem efeito e um chavismo dissidente se cristaliza.

E eu destaco um quarto ponto: a oposição planta as sementes de um governo paralelo, como na escolha de juízes pela Assembleia Nacional (o único grande poder nas suas mãos, embora atrofiado pelo regime) no lugar dos funcionários de Maduro na Corte Suprema. Maduro “honra a promessa” e começou a prender os juízes (não foram presos aqueles que mergulharam na clandestinidade).

Apesar deste cenário, é difícil ver Maduro recuar da convocação da assembleia constituinte, o que basicamente seria o passo final para consolidar a ditadura. Não pode recuar para não mostrar fraqueza (embora exista o desmanche do país). Ele se comporta como um ditador no bunker.

Uma forma otimista de sinalizar o desfecho da crise da Venezuela é que a situação no bunker ficará tão insustentável que mais ratos irão debandar e assim haverá espaço para uma transição negociada com a oposição.

Um dos meus gurus venezuelanos, Francisco Toro, está bem alarmista e pergunta: a Venezuela está à beira de uma guerra civil? Ele começa a resposta por um caminho intrigante. Argumenta que a surpresa é que a escalada de violência nas ruas ainda seja tão contida.

Obviamente, é um confronto assimétrico entre as forças de segurança e seus asseclas dos coletivos, que são as milícias chavistas, contra manifestantes, desarmados e desesperados em sua esmagadora maioria. Basta ver que um dos ícones dos protestos é o violinista Wuilly Arteaga.

E um pouco de contexto: mesmo as forças de segurança não partiram completamente para a ignorância. A Venezuela ainda está muito distante de uma Síria, onde o regime metralhou manifestantes pacíficos desde o começo dos protestos na Primavera Árabe.

No entanto, no alerta de Francisco Toro, o equilíbrio é precário, algo pode virar a balança para um conflito bem mais dramático, com alguns setores da oposição, especialmente jovens, mais organizados e já atuando em formação paramilitar.

Uma guerra civil está longe de ser inevitável, mas se torna cada vez mais provável caso não haja uma solução negociada.