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Vive la France! (na verdade, non)

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 20/04/2017 07h47 - Atualizado em 22/06/2017 17h02
FR9 PARÍS (FRANCIA), 01/03/2017.- El candidato socioliberal a la Presidencia francesa, Emmanuel Macron (c), cata un vino durante su visita a la Feria Internacional de la Agricultura en París, Francia, hoy, 1 de marzo de 2017. Macron opinó hoy que el aspirante conservador, François Fillon, ha perdido "el sentido de la realidad" por tildar su imputación de "asesinato político". La primera vuelta de las elecciones presidenciales se celebrará el próximo 23 de abril. EFE/Christophe Petit TessonEFE/Christophe Petit TessonEmmanuel Macron - EFE

E chegamos a este ponto na França, a gloriosa França paladina da civilização e dos valores universais da democracia: a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais (no domingo) e a menos de três semanas do segundo turno ( 7 de maio), são quatro candidatos para valer na corrida e três cenários de pesadelo.

Estou sendo parcial no meu apoio a Emmanuel Macron, um independente de centro, na economia e que pende para a esquerda em questões sociais? Claro que estou e como não? Aos 39 anos, nunca testado eleitoralmente e cujo movimento político foi criado há menos de um ano, Macron é a única expectativa de um sono sem terríveis pesadelos.

Basta ver os outros três cenários: Marine Le Pen é o que é. A carismática líder da extrema-direita faz o que o pode para remover as piores ervas daninhas da sua Frente Nacional, mas as raízes do seu movimento estão no fascismo. Por um bom tempo, ela quis retirar a mancha antissemita do seu movimento, tão associada a seu pai, Jean Marie Le Pen, alvejando os muçulmanos.

Mas dias atrás, foi aquele escorregão vergonhoso de Marine, quando ela quis eximir a França de responsabilidade no Holocausto, negando o fato óbvio do colaboracionismo na deportação dos judeus franceses para os campos de concentração (algo já reconhecido pelo Estado francês).

François Fillon é o único dos quatro candidatos associado a um partido do establishment, o Republicano. Fillon é extremamente conservador em questões econômicas e sociais. No entanto, sua carolice não se estende à corrupção. Ele está sob investigação por práticas de nepotismo

E temos a nova estrela nesta corrida eleitoral com tantas surpresas. O autodefinido comunista Jean-Luc Mélenchon, com suas propostas bizarras de inflar até onde for possível o já balofo Estado francês, prometendo ainda por cima alta de salários e redução de jornada de trabalho para 32 horas semanais. Como Marine Le Pen, Mélenchon detesta a globalização e a Otan, além de querer remover a França da zona do euro. Gosta mesmo do chavismo e do castrismo.

E Mélenchon, como Marine Le Pen e François Fillon, é chegado em Vladimir Putin. A troika gosta do chefão do Kremlin por razões variadas. Para Mélenchon, é o desafio do presidente russo ao império americano, enquanto Le Pen e Fillon por vislumbrarem em Putin o novo paladino da civilização cristã.

Nesta corrida de lances inesperados, Emmanuel Macron está isolado na reta final do primeiro turno como o único campeão entusiasmado de uma Europa forte e alerta contra a ameaça Putin. Como não apoiar o único candidato que realmente cerra fileiras com o projeto europeu, as alianças transatlânticas e a ordem liberal global?

Veja também o comentário ao vivo de Blinder no Jornal da Manhã: