É função dos pais educarem seus filhos a não caírem em propagandas políticas e ideológicas

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 24/01/2018 09h41
DivulgaçãoEsse foi o tema de fundo de uma entrevista que eu fiz aqui na Jovem Pan sobre várias polêmicas recentes no debate público sobre questões paternais, sexuais e culturais em geral

Hoje, 24 de janeiro, dia decisivo para o futuro do Brasil em razão do julgamento de Lula pelo TRF-4 no caso do triplex, chamo a atenção para a raiz, ou parte da raiz, de alguns problemas cujos efeitos estamos vendo e analisando todos os dias.

Para que muitos dos cidadãos brasileiros não caiam novamente na propaganda política e ideológica de movimentos coletivos que tudo condensam, obscurecem e distorcem, é fundamental destacar a responsabilidade dos pais na educação dos filhos.

Esse foi o tema de fundo de uma entrevista que eu fiz aqui na Jovem Pan sobre várias polêmicas recentes no debate público sobre questões paternais, sexuais e culturais em geral. Minha entrevistada é uma das psicanalistas mais qualificadas do Brasil, Tania Coelho dos Santos, membro da Ecole de la Cause Freudienne, presidente do Instituto Sephora e pesquisadora do CNPQ na Pós-Graduação da UFRJ.

Eis um trecho da nossa conversa, que está disponível na íntegra no site da Jovem Pan:

TANIA: É mais fácil para um sujeito ser responsável pelo que pensa e pelo que diz, e não se deixar levar exclusivamente por movimentos coletivos ou ideologias genéricas, quando seus pais lhe transmitiram essa noção de responsabilidade pessoal.

Há uma tendência a um certo anonimato? Sem dúvida.

Anonimato por parte dos pais que muitas vezes esquecem que ter um filho é uma decisão de exclusiva responsabilidade de pai e mãe.

Eu escuto muitas vezes por parte das pessoas uma expectativa excessiva em relação à escola, ao Estado, à sociedade. É uma certa dificuldade de dar conta da sua parte na tarefa, que é sem dúvida a parte maior. […]

Se você tem família, se seus pais se comprometem com a transmissão dos valores familiares… As propagandas têm que existir, os grupos existem, as defesas das mais diferentes bandeiras… Mas você vai ter um filtro. […] Se esses filtros funcionam adequadamente, a propaganda ideológica é ineficaz. […]

E a omissão dos pais nasce frequentemente da dúvida sobre se os pais têm o direito e o dever de educar seus filhos. Ou se isso compete à escola, à sociedade, à mídia, aos meios de comunicação, ao YouTube, às redes sociais. A quem cabe? Eu já ouvi de muitos pais frases do tipo: ‘O mundo tá mudando, as crianças hoje são muito inteligentes, eu não sei se eu tenho condição de ensinar ao meu filho alguma coisa que no futuro eu não sei que valor vai ter. Eu confio muito mais na capacidade dele de aprender por ele mesmo do que na minha de ensinar, educar e orientar’.

FELIPE: Aí já está se eximindo do esforço de acompanhar o crescimento do filho e de saber o que ele está absorvendo por aí no ambiente cultural.

TANIA: Exatamente. Hoje em dia eu costumo dizer que aos 13 ou 14 anos, pelo menos na classe média carioca, é muito comum que o adolescente passe a ser educado pelo grupo de pares. Então se todos bebem, se todos fumam… o adolescente acompanha.

FELIPE: E aí os pais realmente fazem falta. Então você defende a responsabilidade paterna, o acompanhamento e um certo controle até pelo menos uma certa idade.

TANIA: Olha, essa questão da certa idade…

FELIPE: Certa idade não existe, né? Pai é sempre pai, mãe é sempre mãe.

TANIA: É, olha, eu acho que mãe e pai infelizmente não são funções que caducam muito rapidamente, não.”

Pois é. Mãe e pai não são funções que caducam muito rapidamente, não.

Por isso, meus caros ouvintes, se no dia desse julgamento de Lula, dos próximos ou mesmo daqui a uns anos, os seus filhos saírem em defesa do ex-presidente condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por ter recebido um apartamento como propina em troca de contratos públicos, lembrem-se: é sua função educá-los.