Uma aula a todos que trocam o desejo de superação pelo “coitadismo”

  • Por Jovem Pan
  • 01/12/2017 11h03

Reprodução/Facebook

Apresento o texto de José Luiz Martins, publicitário, empreendedor, humorista e roteirista, que não tem a maior parte do braço esquerdo, tem apenas três dedos na mão direita e anda de muletas

Apresento o texto de José Luiz Martins, publicitário, empreendedor, humorista e roteirista, que não tem a maior parte do braço esquerdo, tem apenas três dedos na mão direita e anda de muletas. Confira:

“Eu sou deficiente físico desde que nasci – ou seja, faz bastante tempo. E nesse tempo todo, certamente você nunca me ouviu choramingando publicamente por causa disso.
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Nunca fiz do preconceito uma causa de vida. E não porque nunca o tenha sofrido – sofri sim, inúmeras vezes, mais do que você imagina e de maneiras muito cruéis. Mas isso sempre foi assunto que tratei com minha esposa, familiares e amigos. E, mais recentemente, com minha psicóloga. Ou seja: é um assunto tratado na esfera pessoal, com quem se importa de verdade comigo. Não com militantes que só querem uma causa para buscar votos.
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Também nunca criei um movimento chamado deficientismo, alegando que vocês construíram prédios sem elevadores e cheios de escadas e, por isso, têm uma dívida histórica e eternamente impagável conosco. Nunca pedi que me contratassem em razão de minha deficiência – pelo contrário, há 5 anos abri mão de uma posição extremamente confortável numa grande agência de publicidade e resolvi empreender num país completamente avesso à iniciativa privada. E estou me saindo bastante bem, obrigado.
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Não tenho orgulho de ser deficiente. Não tenho vergonha, obviamente. Mas não posso ter orgulho de algo que não fiz – quando cheguei, eu já era assim. Se alguém tem algum mérito nisso é Deus. Da minha parte, tenho orgulho dos trabalhos que fiz, das pessoas que ajudei, das alegrias que vivi – isso sim.
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Merdas acontecem na vida de todo mundo, isso é um fato. Nós podemos escolher o que fazer com elas: tirar proveito ou culpar o mundo. E escolhas, meu irmão, só cabem a você fazer – delas você pode se orgulhar ou se envergonhar. Como diria Tony Soprano, ‘Focus on the good times’. Ou como cantaria Monty Python, ‘Always look on the bright side of life'”.

Essa é uma aula a todos que trocam o desejo de superação pelo “coitadismo”.

Confira o comentário completo de Felipe Moura Brasil: