Nesta quinta-feira (24) ficou-se sabendo do depoimento do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero à Polícia Federal sobre a pressão que teria sofrido por Geddel Vieira Lima, ministro da Secretaria de Governo. No mesmo dia, o ex-ministro teria acusado ainda Michel Temer de tê-lo "enquadrado".

Para o comentarista Fernando Rodrigues, a situação, já chamada no Congresso de "Calerogate" degrada as condições políticas e a governabilidade do presidente Michel Temer.

"A situação já era ruim para o Governo com um ministro tentando obter vantagens para assuntos pessoais dentro do Governo e agora, com esse depoimento à PF, Calero disse que foi 'enquadrado' por Temer", destaca.

E a situação do Governo só piorou, já que a resposta formal foi a de que Temer tentou "arbitrar" o conflito entre os dois ministros. "Uma resposta catastrófica", avalia Fernando Rodrigues.

"O que havia dentro do Governo não era um conflito sobre assuntos governamentais. Quando Temer diz que tentou arbitrar, ele acaba se complicando ainda mais. Ele não tinha que fazer isso, ele tinha que repreender Geddel, se fosse provado que ele estava errado", crê Rodrigues.

O desgaste evolui, mas ainda não se tem ao certo suas consequências, como uma eventual saída de Geddel - o que seria uma grande perda a Michel Temer.

E não para por aí. A situação pode se complicar mais ainda se o boato de que Calero gravou suas conversas com Michel Temer, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima for confirmado. "Demonstra desarranjo muito grande na administração federal. Mas isso é apenas um boato, não foi confirmado até o início da madrugada desta sexta-feira", lembra Fernando Rodrigues.

Congresso: Câmara adiou, mas não desistiu de votar a anistia ao caixa dois.

Há uma grande reação por parte de alguns integrantes de partidos da oposição, por outro lado, há outros que apoiam a anistia. No caso da anistia ao caixa dois, foi divulgada proposta de emenda que será apresentada ao plenário, que proporia anistia de todos os eventuais crimes que possam sem considerados caixa dois.

"É uma decisão arrojada, polêmica e, para muitos, uma sem-vergonhice atroz se isso vier a acontecer", diz Fernando Rodrigues.