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“A lei tem ouvidos pra te delatar”

  • Por Jovem Pan
  • 15/03/2017 10h36
Elza Fiúza / Agência BrasilElza Fiúza / Agência BrasilRodrigo Janot

O que impressiona nesse dia atribulado no Brasil é a declaração de José Maria Trindade da tranquilidade que reina em Brasília.

Parece que a lista de Janot foi jogada no deserto da Arábia.

Foram vários ministros, os presidentes da Câmara e do Senado, cinco senadores, dois ex-presidentes, dois ex-ministros da Fazenda.

A imprensa parece ter criado uma expectativa que não bate com a frieza da lei.

Como são homens do ápice da pirâmide, é preciso uma ordem, autorização do Supremo, uma autorização para investigar.

O processo é silencioso, ele caminha para frente.

Temos muita gente presa com penas pesadas: Palocci, Eduardo Cunha, Delúbio Soares. Tem muita gente da alta República já em cana.

Uma música de Chico Buarque descreve a frieza da lei, mas essa lógica absoluta:

Se tu falas muitas palavras sutis

Se gostas de senhas sussurros ardís

A lei tem ouvidos pra te delatar

Nas pedras do teu próprio lar

 

Se trazes no bolso a contravenção

Muambas, baganas e nem um tostão

A lei te vigia, bandido infeliz

Com seus olhos de raios X

 

Se vives nas sombras freqüentas porões

Se tramas assaltos ou revoluções

A lei te procura amanhã de manhã

Com seu faro de dobermam

 

E se definitivamente a sociedade

só te tem desprezo e horror

E mesmo nas galeras és nocivo,

és um estorvo, és um tumor

A lei fecha o livro, te pregam na cruz

depois chamam os urubus

 

Se pensas que burlas as normas penais

Insuflas agitas e gritas demais

A lei logo vai te abraçar infrator

com seus braços de estivador