A ovada em Doria tem um caráter simbólico

  • Por Jovem Pan
  • 08/08/2017 12h29
ReproduçãoDoria grava discurso para redes sociais após ovada e termina com "Acelera Brasil". O vídeo mostra depois ele sendo ovacionado por vereadores soteropolitanos ao som de "Doria presidente"

A viagem a Salvador do prefeito de São Paulo João Doria foi a primeira em uma agenda que inclui sete Estados apenas em agosto. Vera Magalhães avalia que ele pode rever a estratégia.

Além de lambuzar o prefeito, a ovada em Doria tem um caráter simbólico.

O símbolo particular para Doria é que talvez seja cedo para se lançar em um campo onde Lula e PT ainda são majoritários.

E também para sua imagem frente à capital paulista. Começa um movimento forte nas redes sociais dizendo que o prefeito não teria sido vítima da ovada se estivesse em São Paulo governando, consertando semáforos e tapando buracos. A cidade parece ter ficado em segundo plano.

A estratégia de fazer campanha para 2018 já não é mais velada ou disfarçada.

Alckmin

A discussão “Doria governador” em 2018 está forte entre os aliados tucanos em São Paulo, especialmente no DEM.

Daí o desespero do vice-governador Márcio França, que quer há muitos anos pretende se lançar ao cargo, mas não demonstra força para aglutinar todos os partidos que hoje apoiam Alckmin.

Mas Doria não mostra tanta disposição para tentar o Estado. Ele bate muito na tecla de que foi eleito para “prefeitar”.

Ele projeta seu destino, isso sim, nacionalmente. Doria se coloca como o tucano mais aguerrido contra o ex-presidente Lula, viaja por outros Estados para ser conhecido e tenta reunir a ala mais jovem do PSDB, com o apoio do vice-prefeito Bruno Covas.

João Doria defende que, na executiva do PSDB, haja dois representantes dos prefeitos e dois da bancada jovem do PSDB.

O prefeito tenta construir um contraponto ao governador Geraldo Alckmin. São movimentos que buscam um “fato consumado”, dispensando a necessidade de prévias para, assim, Doria ser “ungido” candidato, por estar à frente nas pesquisas de intenção de votos para 2018, em comparação a outros tucanos, e atender a um certo “zeitgeist”, espírito do nosso tempo, na política.

Alckmin não compareceu à solenidade que reuniu Doria e Temer em São Paulo e espera que seu afiliado se queime pela ansiedade.

Cada agressão que sofro mais me fortalece e me inflama na defesa da democracia. Nenhum tipo de violência me intimidará. Não à violência, não ao autoritarismo e não às ditaduras. Sim à democracia, a um país unido e de paz. Quem tem propósitos discute ideias, não agride. #JoãoTrabalhador #NãoÀviolência #BRunido

Publicado por João Doria em Segunda, 7 de agosto de 2017