Quem participa de alguma rede social já deve ter notado: as pessoas querem expor o que sentem. Em tempos de “no que você está pensando?”, muitos são os indivíduos que não perdem tempo e digitam tudo o que estão fazendo. E neste mar de comentários e status soltos por diversas páginas da internet, a pergunta que persiste é: todos falam, mas será que alguém se escuta?

O universo digital trouxe muitos benefícios, e um deles é a maior liberdade de expressão. Nunca foi tão fácil escrever e compartilhar informações na rede. Atualmente, com o uso de tablets e smartphones, o contato com o mundo é mais prático e rápido. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), uma agência das Nações Unidas, 30% da população mundial está conectada à internet, usufruindo de um espaço online.

Porém, com tanto “barulho” de informações, postagens e compartilhamentos, será que é possível manter um diálogo? Será que as pessoas realmente conversam e argumentam umas com as outras? É explorando este contexto que surge a expressão “preguiça verbal”, ou seja, o comportamento frenético de emitir a todo momento sua opinião, o que você está fazendo ou pensando, mas sem criar diálogos, sem construir conhecimento.

Essa preguiça de se comunicar também indica o isolamento das pessoas, pois retrata a falta de vínculos duradouros e do contato com o mundo real. Faça o teste: na sua lista de amigos do Facebook, por exemplo, quem realmente é seu amigo? Quantas são as pessoas que você pode ligar e conversar? Provavelmente não serão todas da lista.

Outro aspecto da preguiça verbal é o afatastamento presencial. A praticidade dos aparelhos celulares e computadores parece substituir, para muitas pessoas, a presença física. Não vemos mais uma preocupação em abraçar o colega que está fazendo aniversário ou enviar um buquê de rosas para a companheira em uma data especial. Um e-mail ou um torpedo resolvem todo o assunto, transformando nossas relações sociais em algo frio e distante.

Não podemos fugir dessa época em que vivemos, repleta de tecnologia de comunicação. E-mails, torpedos e redes sociais facilitam o dia-a-dia, permitindo maior contato com muitas pessoas de uma vez só. Entretanto, não vamos esquecer do abraço verdadeiro, da sensação prazerosa de ver alguém que lhe considere na sua frente, ou o simples fato de falar palavras carinhosas, ou importantes que necessitam ser ditas... e, claro, de também saber ouvir aqueles que se importam conosco e nos falam daquilo que nos aproxime da melhor versão de nós mesmos.

Leo Fraiman é psicoterapeuta, mestre pela USP, escritor e palestrante. Colaboração: Débora Fiorini, jornalista.