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Lenín no Equador, narcoditadura na Venezuela e fogo no Paraguai!

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 03/04/2017 10h25
EFE/José JácomeEFE/José JácomeGovernista Lenín Moreno discursa em Quito
QUI69. QUITO (ECUADOR) 01/04/2017.- El candidato oficialista a la presidencia de Ecuador, Lenín Moreno, ofrece un discurso hoy, domingo 2 de abril de 2017, en la sede del Partido Alianza País en Quito (Ecuador). Moreno logra el 51,07 por ciento de los votos con un escrutinio del 94,18 por ciento, informó el presidente del Consejo Nacional Electoral (CNE), Juan Pablo Pozo.. EFE/José Jácome

É… A América do Sul, a começar por Banânia, vive dias agitados, não é? Por aqui, apesar de tudo, as instituições funcionam, ainda que estejam sofrendo escoriações. Já a Venezuela, o Paraguai e o Equador… Bem, vamos ver. Começo pelo caso mais recente. Vejam estas fotos. Revelam a brutal insegurança do sistema. Vota-se em cédulas de papel; inexiste cabine indevassável; os votos são espalhados, em montes, no chão; a contabilidade é feita manualmente, na base daqueles quadradinhos cortados na diagonal, que fazem contagem de cinco em cinco…

Pois é… Todas as pesquisas de opinião e também a de boca de urna apontavam a vitória do oposicionista Guillermo Lasso, que aparecia nesse último levantamento com 53,02% dos votos, contra 46,98% do esquerdista e governista Lenín Moreno.

Os resultados oficiais, no entanto, são outros. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) indica a vitória de Lenín por uma estreita margem. Com 96% das urnas apuradas, ele está com 51,12% dos votos, contra 48,88% do opositor conservador. Matematicamente, a virada é impossível.

O que vai se seguir? Vamos ver. As fotos acima indicam a insegurança em que realizam as eleições no país, que é comandado pelo autocrata Rafael Corrêa, um Chávez de dimensões equatorianas. Guillermo pede a recontagem dos votos e diz que a fraude pode alcançar 800 mil votos. O país tem inscritos 12,8 milhões de eleitores.

Apesar do nome, o Lenín do Equador faz um discurso mais manso do que Corrêa.

Venezuela
A Venezuela há muito vive uma tirania. O último golpe foi dado pela corte suprema do país, um antro de bolivarianos a serviço da súcia que chegou ao poder com Hugo Chávez, que decidiu tirar do Parlamento o poder de legislar. Parece piada, mas é isso mesmo. A reação internacional foi de tal sorte que Nicolás Maduro, o esbirro civil da narcoditadura militar que governa o país, posa de conciliador e pede que os fantoches do tribunal devolvam o poder ao Congresso.

Os país se desconstitui a cada dia. Bem, desta feita, ao menos, não passamos vergonha. Estivesse Lula ou Dilma no poder, e nós sabemos bem qual seria a reação do governo brasileiro. Nunca podemos nos esquecer da frase do Apedeuta, segundo quem “havia democracia até demais na Venezuela”. E ele o disse dias depois de Chávez ter mandado cassar um canal privado de televisão.

A Venezuela parece caminhar para uma guerra civil se as alas limpas das Forças Armadas não se insurgirem contra seus pares de farda que sustentam o narcoestado. Maduro aposta em muito sangue. Que seja menos!

Fiquemos de olho no Equador… A Venezuela só chegou ao abismo porque o candidato derrotado, Nicolás Maduro, fraudou as eleições e se impôs como presidente. Os indícios na disputa equatoriana não são os melhores.

Paraguai
O Paraguai, por sua vez, viveu uma patuscada multiplamente criminosa. Os governistas aprovam no Senado uma emenda que permite a reeleição, o que é do interesse do atual presidente, é claro!, o conservador (Colorado) Horacio Cartes. O curioso é que a esquerda, que quer a volta de Fernando Lugo, resolveu apoiar a proposta…

Ocorre que se organizou uma forte resistência à medida, e manifestantes invadiram uma ala do Congresso, depredando e incendiando instalações. Rodrigo Quintana, 25, dirigente do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), principal sigla de oposição no país, foi morto pela polícia. O governo demitiu o ministro do Interior e o chefe da polícia do Paraguai.

Só para registro: a votação da emenda não fere a Constituição. Tem cara de manobra politicamente malandra, mas está dentro das regras do jogo. É claro que a oposição tinha o direito de protestar. Ocorre que, numa democracia, não se põe fogo no Parlamento, certo?

E não deixa de ser prudente notar: não se deve dar à população pretextos para isso. E uma maneira é respeitar as instituições. Vale para o Brasil, para o Equador, para a Venezuela, para o Paraguai, para todo o mundo…