O problema não é a extensão do sigilo das delações, mas a cultura do vazamento

  • Por Carlos Andreazza/Jovem Pan
  • 26/06/2017 10h08
BOGT600.- BOGOTÁ (COLOMBIA), 11/04/2017.- Fotografía de archivo del 15 de marzo de 2017 del magistrado Edson Fachin, uno de los once miembros del Tribunal Supremo, quien dio luz verde así a los pedidos de la Fiscalía para abrir investigaciones contra autoridades con fuero privilegiado a partir de los testimonios de 77 exdirectivos del grupo Odebrecht. La Corte Suprema de Brasil autorizó investigar a 9 ministros del Gabinete del presidente Michel Temer y a 71 congresistas por su supuesta implicación en el escándalo de corrupción destapado en el seno de la petrolera estatal Petrobras, informó hoy, martes 11 de abril de 2017, el diario 'O Estado de Sao Paulo' en su versión digital. EFE/ARCHIVO/Joédson AlvesEFE/ARCHIVO/Joédson AlvesMinistro do STF Edson Fachin - EFE

Parece que o Supremo Tribunal Federal promoverá um ajuste para deixar as futuras delações premiadas em sigilo por mais tempo. Muito bem. Mas e daí?

O problema não é a extensão do sigilo das delações. Mas a cultura do vazamento – que, vê-se, veio para ficar. A indústria do vazamento, essa em decorrência da qual sigilo nenhum – estendido ou não por lei – se sustenta. É sob esse sistema – que dilapida a segurança jurídica – que vivemos hoje no Brasil.

Para dar mais gravidade ao que já é escandalosamente grave, podemos chamar essa zona franca do vazamento de seletiva. Vaza-se, a conta-gotas, para fazer sangrar fulano. Há foco. E existe agora até o pré-vazamento, uma espécie de prévia, como se fosse um trailer no cinema, por meio do qual se anuncia o que será vazado amanhã.

Nesse processo, em que a presunção de inocência foi ignorada, temos pessoas já condenadas, contra os quais, porém, as investigações ainda não levaram a uma denúncia formal sequer.

Parabéns aos justiceiros.