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Pingo Final: ménage à trois de 3 jotas contra a educação: Jair, Jean e Jandira

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 30/03/2017 09h56
Reprodução/TwitterReprodução/TwitterJean Wyllys cospe em direção do deputado Jair Bolsonaro

Ah, essa não posso deixar passar, não é?

Eu já escrevi aqui que Jair Bolsonaro (PSC-RJ), aquele que deve se candidatar à Presidência se não for condenado pelo STF (acho que vai, e torço para que seja), estabeleceu uma relação homoafetivo-política com seu adversário preferencial: Jean Wyllys (PSOL-RJ). A extrema direita pastelão e a extrema esquerda vaudeville se estreitam num abraço insano.

A relação tem até cusparadas do mais escancarado afeto. Freud levaria o charuto à boca, com olhar enigmático: “Ah, esses rapazes…”. Jair alimenta Jean, Jean alimenta Jair.

E, mais uma vez, os dois se uniram nesta quarta, desta feita contra a qualidade na educação.

Mas o que aconteceu? Uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) autorizava — NÃO IMPUNHA — as universidades públicas federais a cobrar por cursos “lato sensu”, as especializações. Todo o resto, graduação e pós “stricto sensu” (mestrado e doutorado), seguiria como sempre.

Como vocês sabem, uma PEC precisa de 60% de votos na Câmara (308) e no Senado (49) em duas votações. Infelizmente, faltaram, atenção!, miseráveis quatro votos. Sim, senhores! Ficaram a favor da mudança 304 deputados, e 139 se opuseram.

E, agora, pego carona na sacada excelente do sempre impecável Tiago Pavinatto, num vídeo publicado no Facebook, a que vocês devem assistir. Ele lembra que, além de Jair e Jean, também a inefável Jandira Feghali (PCdoB), igualmente do Rio, trabalhou incansavelmente contra a proposta.

E, agora, então, a sacada de Pavinatto: “Foi o primeiro ménage à trois da trinca de ‘jotas’ dos legisladores do Rio, em Brasília: Jandira, Jair e Jean, juntinhos!”

Impressionante
Eis aí Bolsonaro. Eis a extrema direita a votar junto com o PCdoB e com o PSOL! Pois é… isso pode surpreender os incautos. Mas assim é mundo afora. Os polos ideológicos fascistoides da política, no fim das contas, pensam essencialmente a mesma coisa, assim como fascismo e socialismo, o arcabouço histórico-intelectual de cada grupo, só divergiam quanto ao centro organizador da tirania: o primeiro achava que tinha de ser o estado, e o segundo, o partido.

No fim das contas, o que é que os três “Jotas”, de fato, repudiam? Ora, uma sociedade livre. Bolsonaro a quer subordinada a um estado gigante — que, claro!, ele garante que será ético (imagino um que tivesse a cara dele e seus modos) —, e os outros dois a querem aparelhada por milícias militantes. Afinal, como sabemos, elas já se acoitam hoje no PCdoB e no PSOL.

Dias desses, um sujeito com raciocínio de buldogue — na verdade, ele lembra, também pela estatura, um buldogue —, que julga ter privatizado o pensamento liberal, resolveu me atacar, me enviaram um link, em razão das críticas que faço a Bolsonaro. Eis aí o homem que está sendo cortejado por liberais de meia-pataca e meia-tigela em nome da, como é mesmo?, “unidade da direita”  .

Unidade com Bolsonaro? Podem me incluir fora dessa. Se houver um segundo turno entre um candidato liberal e um de esquerda, é bem possível que esses seres notáveis, que são os bolsonaretes, votem com a esquerda. A exemplo do que seu mestre fez nesta quarta, em prejuízo da educação.

Eis aí. Os Três Jotas se juntaram no “ménage à trois” contra a educação.

Ah, sim: a trinca também é contra a reforma da Previdência, a reforma trabalhista, as privatizações e a terceirização — nesse caso, Bolsonaro disse ter se abstido.

Bem, mas em que, então, eles discordam? Sei lá. Talvez Jean ache que gays devam cuspir em héteros, e Jair, que héteros (declarados ao menos) devam cuspir em gays. Nesse caso, Jandira não entra porque isso é coisa pra machos.