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PT: Nem quem ganhar nem perder vai ganhar ou perder. Todos perdem

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 05/04/2017 11h36
Marcos Oliveira/Agência SenadoMarcos Oliveira/Agência SenadoASENADO - Lindbergh Farias (PT-RJ) e senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).
Sala de comissões do Senado Federal durante reunião realizada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O projeto de uma nova Lei das Cooperativas, em substituição à atual – Lei 5.764/1971, está na pauta da reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A relatora, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), apresenta substitutivo a dois projetos de lei do Senado que tramitam em conjunto – PLS 3/2007 e PLS 153/2007, respectivamente do então senador Osmar Dias e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). (E/D): senador Lindbergh Farias (PT-RJ); senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Apesar dos esforços de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, e da Lava Jato como um todo para reanimar o PT, o partido se encontra numa pindaíba fabulosa. Ora, é o que a gente constata quando mira os dois postulantes à presidência do partido. Com o apoio de Lula, desponta a senadora-ré Gleisi Hoffmann (PR). O buliçoso Lindbergh Farias, seu parceiro de bancada, decidiu se manter na disputa — contra a vontade daquele que só não preside a legenda porque não quer: Luiz Inácio Lula da Silva.

Ouça o comentário completo AQUI.

A se manter a disputa, quem leva a melhor? Bem, queridos, eis uma luta em que torço para que os dois ganhem e para que os dois percam. Ou, como diria a pensadora Dilma Schopenhauer Rousseff, “não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.

Sábias palavras.

O preferido da Construindo um Novo Brasil, a maior corrente do PT, à qual Lula pertence, era o nome do ex-ministro Alexandre Padilha (Saúde), o que é, também, sinal de crise. O chefão do partido convenceu os dirigentes a fechar com o nome de Gleisi. Segundo Lula, Lindbergh teria se comprometido a deixar a disputa se a senadora concorresse. Pois é. Não deixou. Diz que jamais fez esse acordo com o chefão. Apenas teria se calado ao ouvir a proposta. Bem, quem cala, em situações assim, em que não há constrangimento físico ou moral de nenhuma natureza, costuma consentir.

Lindbergh conta com o apoio da Democracia Socialista e de outras correntes de esquerda. Bem, meus caros, a gente constata a areia em que está o PT quando o exemplo de moderação é… Gleisi Hoffmann, detestada por boa parte da bancada federal do partido em razão de seu “estilo Dilma” quando chefe da Casa Civil.

Na verdade, o incômodo com a escolha de Lula se espalha por todas as tendências do partido. É claro que, com o seu apoio, a senadora vence uma eventual disputa. Mas aí os petistas se perguntam: “Pra quê?”. É evidente que o fantasma Dilma os assombra. O rancor mitigado no partido contra a ex-presidente é gigantesco. Ela é considerada a grande responsável pelo desastre petista — e, em parte, isso é fato.

É certo que a Operação Lava Jato fez um grande estrago. Mas, convenham, Janot e seus bravos já deram a mão ao partido ao arrastar todas as outras legendas para a mesma lama, embora isso não seja falso. A verdade é que Dilma contribuiu, de forma contundente, para destroçar a economia do país, conduzindo um governo que não conseguia conversar nem com o próprio partido.

E, por óbvio, Gleisi é um dado dessa equação. E divide com a sua ex-chefe certa, com o direi?, intolerância com a divergência. Ninguém entende, no PT, a insistência de Lula.

Dizer o quê?
Bem, o conjunto demonstra que o partido decidiu investir em seu lado mais, deixem-me ver, carnívoro, não é? Todos se lembram do comportamento lamentável de Gleisi e Lindbergh durante o julgamento do impeachment. É claro que eles não iriam concordar com a proposta e tentariam bombardeá-la. A questão é como fazer isso. E eles o fizeram da pior maneira: afirmaram que o Senado Federal, a Casa à qual pertencem, não tinha moral elevada o suficiente para cassar Dilma.

Mas, como se vê, eis o que restou ao partido.

Dilma é que está certa na sua formulação imortal: “Nem quem ganhar nem perder vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.

Opa! Talvez o Brasil saia ganhando, se é que me entendem… E não vou explicar a ironia.