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Vice-presidente do Sindivet relata pressão para aderir a esquema no Paraná

  • Por Jovem Pan
  • 26/03/2017 15h23
BRA103. LAPA (BRASIL), 21/03/2017 - El Ministerio de Agricultura de Brasil, Blairo Maggi, realiza una inspección técnica al grupo cárnico JBS Seara en la ciudad de Lapa, estado de Paraná, Brasil, hoy martes 21 de marzo de 2017. Según la policía, varias de las principales cárnicas del país, entre ellas JBS y BRF, con la complicidad de fiscales sanitarios corruptos, "maquillaron" con productos químicos carnes que estaban en mal estado y no cumplían con los requisitos para la exportación.EFE/Joédson AlvesEFE/Joédson AlvesMinistro da Agricultura Blairo Maggi vistoria produção de carne em fábrica da JBS Seara em Lapa

No programa “A Hora do Agronegócio” deste domingo (26), Roberta Züge, vice-presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná (SINDIVET), revelou em entrevista a José Luiz Tejon que recebeu relatos de cooperativas agrícolas que perdiam espaço no mercado paranaense por não entrarem no esquema de corrupção instaurado no Estado, descoberto pela Polícia Federal na Operação Carne Fraca.

Roberta, que tem cooperativas como clientes, conta que ouviu relatos de não obtenção de licenças necessárias para operar ou ampliar a produção.

“Eu sabia das ações contra as cooperativas por elas não terem entrado no esquema. Alguns clientes tinham relatado dificuldade de (obter) licença para expansão; problemas com as fábricas de ração que não conseguiam a liberação em cima da IN-65 (Instrução Normativa 65/2006, que regulamenta o uso de rações e remédios para animais de produção)”, relata Roberta Züge.

“Daí você via empresas no mesmo município, que a gente conhecia o padrão, e essa estava operando normalmente”, compara. “Com certeza fazia parte de não ter entrado no jogo. Era uma forma de eles pressionarem para que a cooperativa entrasse nesse processo”.

“Existe de fato um problema sanitário, um trabalho que deveria ser feito por esses fiscais. O que ficou muito claro é a corrupção que está instituída”, avalia Roberta. “Já se conhecia o problema e as ações não foram tomadas”, diz.

“Dentro do próprio ministério houve outras tentativas de destituir esse núcleo de corrupção. Mas, por interferência política, havia pessoas fortes da política paranaense que os defendiam. Precisamos descobrir por que isso era feito. Que benefícios que eles tinham para poder defender as práticas ilegais desses profissionais que estavam gerenciando o sistema de inspeção no Estado”, sugere também.

A dimensão da fraude

A especialista não vê um problema sanitário em toda a carne brasileira. “Houve as episódios pontuais em volumes, perto do que é produzido, insignificantes, e que estavam fora do padrão”, diz. Ela reconhece, no entanto que “houve fraudes”, como carde de cabeça de porco que era utilizada em produtos não autorizados.

“Claramente o que houve foi fraude em vários produtos. Houve contaminação, entraram (produtos) para o reprocessamento. Mas não é algo que vá impactar diretamente na saúde do consumidor”, ressalta.

Para as empresas

“Nesse momento as empresas têm que mostrar transparência para o consumidor. O consumidor da cidade está muito distante da vida do campo, do processamento. A gente precisa conversar muito mais com esse consumidor e as empresas precisam estar preparadas”, propõe Roberta.

“Poucas empresas evidenciam a origem do propriedade. De que propriedade veio, como é produzido um suíno, ou ave. Essas coisas deveriam ser mais transparentes”, sugere Roberta, comparando a produção brasileira à da Europa, onde há a rastreabilidade.

Com a crise, acredita Roberta, os consumidores vão buscar maior transparência na origem do produto que coloca em sua mesa. “Então empresas que estavam investindo em transparência, vão se sobressair”.

Roberta Züge é Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná (SINDIVET); membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); médica veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP); Sócia da Ceres Qualidade.

O programa

O programa A Hora do Agronegócio deste domingo (26) começa com a música “Coração sertanejo”.

Matéria de Mariana Grilli mostra que 2016 foi uma montanha-russa no mercado de carnes.

Tejon, em seu editorial, falou sobre “o que precisamos aprender com a crise da Carne Fraca”.  que “a fraqueza da carne humana precisa de muito mais monitoramento”. Ele sugere o “compliance”. Falta também preparo para gestão de crises, avalia.

Reportagem sobre o Rally da Safra traz informações sobre a produção da soja.

Decio Zylbersztajn, engenheiro agrônomo, professor de administração da Universidade de São Paulo (USP) e fundador do Pensa, Conselho de Conhecimento em Agronegócios, comentou também as consequências da Carne Fraca no mercado brasileiro.

Ouça as entrevistas e o programa completo AQUI.