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Com morte cerebral, jovem é mantida viva por mais de 120 dias para dar à luz gêmeos

  • Por Jovem Pan
  • 25/02/2017 10h16
Reprodução/FacebookReprodução/FacebookFrankielen Zampoli com o marido Muriel em foto de 2016

O coração dos fetos de nove semanas continuava batendo quando os médicos decretaram a morte cerebral da mãe, Frankielen Zampoli, há 126 dias.

O caso inusitado do Paraná teve, no entanto, um final feliz. As crianças sobreviveram no útero da mãe de 21 anos, suprida artificialmente com nutrientes e hormônios que deixaram de ser produzidos por causa da hemorragia no cérebro de Frankielen.

A equipe médica do Hospital Nossa Senhora do Rocío, em Campo Largo, define toda a situação como milagre.

“Foi um caso realmente inédito, raríssimo e bastante difícil para nossa equipe”, diz o médico responsável pela Unidade de Tratamento Intensivo onde ficou Frankielen, Dalton Rivaben. Para ele, seguir com a gestação não era uma opção, mas a obediência da lei. “Qualquer atitude naquele momento de desligar os aparelhos seria considerado um aborto, que é proibido no Brasil”, avalia.

Ouça a reportagem completa AQUI.

A mãe dos gêmeos foi uma espécie de incubadora. Frankielen, que tentava engravidar por quatro anos sem sucesso, doou o corpo aos gêmeos, que nasceram prematuros no domingo passado (19), pouco antes do sétimo mês de gravidez.

Eles estão internados na UTI neonatal com boas chances de sobreviver sem sequelas. Todos os procedimentos foram realizados via SUS, o Sistema Único de Saúde.

E para tudo dar certo, a equipe do hospital procurou o know-how fora do país, num caso muito parecido em Portugal, no ano passado. Os médicos entraram em contato com o Hospital de Lisboa e mantiveram “contato semanal” com o doutor responsável por um caso semelhante no país europeu.

Depois do parto, uma cesária de emergência, os órgãos de Frankielen Zampoli foram doados.

Reportagem de Carolina Ercolin