Em colaboração, Blatter cita Teixeira e Del Nero e revela contabilidade da propina da Fifa

  • Por Jovem Pan
  • 17/11/2017 15h10
Agência EFEBlatter, fifaJoseph Blatter foi presidente da Fifa entre 1998 e 2015. Ele renunciou ao cargo em meio ao maior escândalo de corrupção da entidade

Agentes do FBI, da Interpol e procuradores da Justiça americana embarcam no próximo sábado de volta aos EUA. O check-in acontecerá na Suíça, onde desde quarta-feira eles estão reunidos com Joseph Blatter. Partiu do próprio ex-presidente da Fifa a vontade de colaborar com a Corte de Nova Yorkresponsável por julgar os escândalos de corrupção na entidade.

Durante três dias, Blatter abriu o jogo. Contou detalhes das ilegalidades cometidas na Fifa e revelou importantes informações à Justiça americana. Os nomes de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, atual, foram citados. Além disso, relatórios apresentados pelo suíço prometem ajudar os EUA a abrir a “caixa preta” do esquema de propina da Fifa.

“Esses agentes e procuradores estão voltando aos EUA com dez caixas de documentos”, informou Wanderley Nogueira, durante o Esporte em Discussão desta sexta-feira, na Rádio Jovem Pan. “Além disso, eles levantaram parte da contabilidade de propina da Fifa”.

“Por exemplo: o dinheiro que era destinado a brasileiros era definido com a palavra-chave ‘Tropicana’. Para a África, eles encontraram duas palavras-chave: ‘Kenya’ e ‘Safari’. Eles detectaram, também, uma conta de dinheiro chegando ao Brasil que partia da China e passava por Mônaco. Esse dinheiro chegava ao Brasil em nome de pessoas desconhecidas, mas, na verdade, era destinado ao bolso de alguns dirigentes do esporte brasileiro”.

Colaboração de Blatter

Foi o próprio Joseph Blatter quem se propôs a colaborar com a Justiça americana. Há poucos dias, o ex-presidente da Fifa comunicou à Corte de Nova York o desejo de fazer uma ampla e irrestrita “colaboração”.

Essa decisão enfraqueceu a disposição revelada por Marco Polo Del Nero de também “contar tudo o que sabe” em troca de não ser preso caso deixe o Brasil para depor nos EUA. Entre Blatter e Del Nero, os procuradores americanos decidiram, é claro, escutar o suíço.

Wanderley Nogueira explicou por quê: “há um objetivo maior dos EUA, que é o de deixar muito claro ao mundo que houve compra de votos para a realização da Copa do Mundo de 2022 no Catar. Eles já tinham provas suficientes de que isso aconteceu, mas precisavam, digamos assim, da ‘mãe das colaborações’, a do Blatter. Ela aconteceu entre quarta e sexta-feira”.

Os desdobramento dessa colaboração prometem mexer ainda mais com o alto-escalão do futebol mundial.

É esperar para ver…

Reuters