0:00
0:00

CFM aprova nova técnica criada pelo HC para tratamento de doença na próstata

  • Por Jovem Pan
  • 23/07/2016 09h39
Marcos Santos/USP ImagensMarcos Santos/USP ImagensPlano de saúde
Profissionais da saúde. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O Conselho Federal de Medicina aprovou nova terapia para tratamento de hiperplasia benigna da próstata. É uma boa notícia para pacientes que sofrem da doença, que aumenta o órgão e traz dificuldades e desconforto para urinar, ou até mesmo a incontinência urinária.

A terapia em questão é desenvolvida desde 2008 pelo Hospital das Clínicas da USP. Agora, com a aprovação, poderá ser praticada por outros centros de saúde do Brasil.

Minimamente invasivo, o procedimento atenua o quadro da doença, como explicou Francisco Carnevale, médico-diretor de Radiologia Vascular Intervencionista do HC. “É um procedimento mini-envasivo. É um cateterismo. Nós conduzimos o cateter até a próstata, quando chegamos nela fazemos uma fotografia e identificamos onde tem estes nódulos. Quando chegamos nesta região da próstata, injetamos uma substância que vão obstruir a circulação somente onde tem estes nódulos de hiperplasia benigna. Com isso tem uma redução do tamanho da próstata”.

A doença atinge 30% dos homens acima dos 60 anos e poder ampliar o atendimento é uma vitória, segundo doutor Carnevale. “É uma notícia muito boa, pelo fato de ter sido uma técnica idealizada e desenvolvida no Brasil e ter a oportunidade de exportar essa tecnologia”, disse.

O CFM publicou as normas para a prática e irá cadastrar as instituições de saúde e médicos interessados em realizar o procedimento.

Francisco Carnevale, detalhou como será a capacitação aos profissionais interessados, supervisionados pelo Conselho Federal de Medicina. “Esta equipe, composta por hospital, urologista e um radiologista intervencionista, a partir de agosto, serão inscritos dentro do HC e farão treinamento em dez cirurgias”.

Antes deste novo tratamento, havia apenas duas formas de cuidar da doença. Remédios usados normalmente trazem efeitos colaterais, como pressão baixa, fadiga, disfunção erétil e diminuição da libido.

Para os casos mais graves, a saída era uma cirurgia que abre uma espécie de “túnel” na próstata para a passagem da urina.

A técnica já começou a ser utilizada na Europa e está em processo de aprovação nos Estados Unidos. Aqui no HC, dos 250 pacientes que realizam o procedimento desde o início dos testes em 2008, cerca de 90% melhoraram dos sintomas da doença.

Outro destaque é que nenhum dos pacientes tratados apresentou dificuldades de função sexual ou incontinência urinária. O tratamento apenas não é indicado para pacientes com câncer de próstata, disfunção da bexiga, para quem realizou radioterapia na pélvis e para os que têm alergia ao contraste iodado usado. Para estes casos, a chance de os sintomas voltarem é maior.

*Informações do repórter Fernando Martins