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“Cortaremos despesas onde for necessário”, diz ministro da Fazenda Henrique Meirelles

  • Por Jovem Pan
  • 14/11/2017 09h16

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Ministro afirma que "agora certamente seria muito cedo" decidir sobre possível candidatura, mas não se exime de discurso eleitoral

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles deu entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã desta terça-feira (14). Ele destacou a importância da reforma da Previdência, disse que o governo de Michel Temer irá cortar gastos “onde for necessário” para o País cumprir a meta fiscal e falou sobre sua possível candidatura para a Presidência em 2018, adotando o discurso eleitoral.

Meirelles garantiu que a meta fiscal do próximo ano, de déficit de até R$ 159 bilhões, “será atingida de qualquer maneira” e prevê, “se necessário, cortes adicionais de despesas”.

“A meta fiscal nós vamos cumprir porque, de uma forma ou de outra, nós cortaremos despesas onde for necessário para chegar lá”, afirmou o ministro da Fazenda.

Meirelles negou, no entanto, que programas como o Bolsa Família possam ser alvos de cortes no orçamento.

“Em relação ao aumento do Bolsa Família, isso é uma coisa necessária para o País e já está nos cálculos”, disse Meirelles. “Tudo isso já está devidamente calculado, Bolsa Família, etc, e nós vamos cumprir a meta sim”, reassegurou.

O ministro disse também: “não estamos planejando novas isenções de IPI (imposto sobre produtos industrializados)”.

Assista à entrevista completa:

Previdência

“Gostaria de dizer que nosso objetivo principal é garantir a todos os brasileiros tenham segurança que de fato irão receber a sua aposentadoria”, discursou Meirelles sobre a reforma da Previdência.

O ministro lembrou países em que “o governo teve de cortar o valor da aposentadoria para que o governo pudesse pagar”, como a Grécia. “Isso é um desastre, um absurdo e felizmente o Brasil está longe disso”, decretou Meirelles.

“Acreditamos que esse assunto será tratado com responsabilidade por todos e acreditamos na aprovação do Congresso Nacional. Evidentemente o Congresso é soberano”, disse ainda.

Meirelles mantém o discurso otimista e cauteloso. “A possibilidade de (a reforma da Previdência) ser aprovada é muito grande”, afirmou, assumindo ser, no entanto, “prematuro”, fazer previsões.

Mais impostos?

Sobre o possível aumento de tributos para fechar as contas do governo, Meirelles citou propostas na Câmara nesse sentido e destacou uma que prevê “eliminar a diferença” entre fundos exclusivos de pessoas que têm mais dinheiro e hoje pagam menos impostos.

O ministro quer que “todos os investidores que têm fundos exclusivos paguem a mesma coisa que qualquer brasileiro”.

“Em relação à questão da reforma tributária, estamos trabalhando e esperamos que ela seja objeto de um acordo entre parlamentares, Estados, Executivos e vamos encaminhar”, disse ainda o ministro. “Gostamos de chamar de simplificação tributária. O problema no Brasil não é só pagar imposto, é o tempo que se demora para pagar imposto, preencher papel, etc. Nós queremos simplificar isso”.

Candidato em 2018?

“Sou candidato a colocar o Brasil para crescer como ministro da Fazenda”, tergiversou Meirelles, questionado sobre suas ambições eleitorais no ano que vem. “Tenho um princípio proifissional de me concentrar na minha missão”, disse. “Hoje eu não gasto tempo pensando no que vou fazer no ano seguinte”.

O ministro engata em seguida, no entanto, um discurso eleitoral: “nós conseguimos tirar o Brasil dessa crise, dessa recessão”, classificando a situação econômica do País nos governos anteriores como uma “tragédia”.

“Não estou considerando possibilidade a essa altura de coisas que poderão ocorrer ou não em abril”, disse também Meirelles, em relação ao prazo para se desfiliar do ministério para se candidatar à Presidência. Questionado se não seria prematuro para o cenário de recuperação econômica deixar a Fazenda ainda no começo do ano, Meirelles ponderou: “em abril vamos analisar tudo isso e tomar uma decisão”.

Sobre a informação divulgada pelo blog do Noblat que o presidente Michel Temer quer aproveitar a reforma ministerial para antecipar para dezembro o prazo para seus ministros que querem candidatar em 2018, Meirelles riu.

“Os ministros que estão decididos a sair, esses possivelmente podem antecipar sua saída. Não aqueles que não decidiram se poderão ou não fazer isso no momento adequado”, disse, colocando-se no segundo grupo.

O ministro disse que “agora”, em dezembro, “certamente seria muito cedo” (decidir sobre possível candidatura) e reafirmou seu “compromisso com o presidente e com o País”.

Lula, JBS e Inadimplência

Ainda em discurso eleitoral, respondendo questões de ouvintes, Meirelles não nega sua presença no governo Lula e no conselho da JBS e afirma que afirma que se orgulha de não ter qualquer tipo de suspeita em relação à sua conduta, pautada na “ética e na lei”.

“Fui presidente do BC no governo Lula e tive naquele momento total independência de acordo com o que era combinado entre o ex-presidente Lula e eu”, disse. “Fizemos um trabalho que teve um grande êxito. O BC conseguiu colocar o Brasil na meta. Eu não participava de outras questões do governo e não tive nenhum tipo de ingerência em outras partes sequer da política econômica”, isentou-se.

“Eu de fato prestei consultoria a diversas empresas e serviços de orientação”, afirmou, sobre serviços prestados à JBS, mas citando outras companhias.

Sobre as empresas endividadas com o Brasil, Meirelles disse que “existe sim uma cobrança forte”, mas “não podemos simplesmente tomar os recursos da empresa”. Ele destaca que as questões são resolvidas na Justiça.

Meirelles afirma, no entanto, que “é preciso acabar com um mito”. “Mesmo que todas as empresas inadimplentes pagassem, nós ainda teríamos um déficit da Previdência, não resolveria”, afirmou.

“A maior parte das dívidas é de companhias que já quebraram, como a Vasp”, disse também o ministro da Fazenda.