Há uma língua falada apenas em cidadezinhas do Sul do Brasil que está à beira da extinção. E ela não tem nada a ver com o português. O Talian é uma variação do italiano. Quase ninguém mais fala na Europa, mas ainda é comum para quase dois milhões de ítalo-brasileiros.

É mais ou menos assim:

Essa é a dona Olga Pansera, 82 anos, brasileira que mora em Erechim, no Rio Grande do Sul. A piada que ela conta - sobre as aventuras de um jovem casal na lua de mel - foi passada de geração para geração pela avó, que deixou o Vêneto durante a guerra.

Toda a família entende o que a matriarca diz. E cai na risada ao final da anedota. Mas ninguém aprendeu a falar o Talian. A filha dela, Adriana, é um exemplo.

Giorgia Miazzo, uma linguista da Universidade Ca' Foscari, de Veneza, que investiga comunidades que ainda mantém viva a tradição e a cultura das origens.

O alerta que a pesquisadora fez no programa Radioatividade é para uma vergonha implícita no exercício da prática na língua.

Para imigrantes fugindo do pós-guerra, falar um idioma no Brasil que não o português era motivo piada, de bullying.

A palavra "tamanco", por exemplo, em italiano fala-se "zoccolo". No talian, acabou virando "tamanchi".

É possível traçar um paralelo com o Tupi e o Guaraní aqui no Brasil e tantos outros sotaques e acentos que vão se nivelando com a globalização, sendo desprezados em detrimento, por exemplo, do inglês.

Mas não se depender da dona Olga Pansera, empenhada em manter o Talian vivo nas novas gerações de Erechim.